Processo Seletivo DAF 2021 12


Da série
Bairros Cariocas
09 Setembro 2016
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Retrato feito por Augusto Petit, de Quintino Bocaiúva, político que deu nome ao bairro (Crédito: Wikimedia Commons)

O clima residencial é uma das características do bairro de Quintino Bocaiúva. Localizado no subúrbio da Zona Norte carioca, possui ruas largas e casas com poucos andares. Na região, os moradores também dispõem de farmácias, escolas, academias e bares.

Nomeado, delimitado e codificado pelo Decreto Nº 3.158, de 23 de julho de 1981, com alterações do Decreto Nº 5.280, de 23 de agosto de 1985, o bairro recebeu esse nome em homenagem ao jornalista e político Quintino Antônio Ferreira de Sousa - Quintino Bocaiúva, conhecido como o Patriarca da República, que viveu em uma chácara no local.

Com 31.185 habitantes, alocados em uma área de aproximadamente 432,38 hectares, segundo dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Quintino pertence à 15ª Região Administrativa (Madureira), tendo como vizinhos Cascadura, Cavalcante, Piedade, Freguesia, Tanque e Praça Seca (os três últimos apenas por região de mata).

Surgimento

No início do século XIX, a maioria dos bairros que compõem o subúrbio carioca era de fazendas importantes, como a do Campinho, que ficava às margens da Estrada Real de Santa Cruz (atual Avenida Dom Hélder Câmara) e que deu origem a Quintino. Alguns estudiosos acreditam que a Fazenda do Campinho estava situada na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá; outros afirmam que era na Freguesia de São Tiago de Inhaúma. A região, naquela época, tinha aspecto rural, sendo coberta por vegetação nativa. Ali eram cultivadas hortaliças, cana-de-açúcar, mandioca, milho e algumas árvores frutíferas.

Em meados do século XIX, parte da Fazenda Campinho foi vendida pela viúva do capitão Francisco Ignácio do Canto, então dono do lugar. Lourenço Madureira, o comprador, usou as terras para pastagem de gado, que vinha do estado de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro. O movimento no local fez surgir algumas estalagens e estimulou o desenvolvimento do comércio, dinamizando a região em torno da fazenda.

No século XIX, a chegada do trem ajudou a dinamizar a região. Na foto, a estação do local (Crédito: Wikimedia Commons)

Transporte

Até 1858, não havia um sistema de transporte eficiente por ali. As pessoas tinham que caminhar, ir de cavalo ou em veículos de tração animal, caso desejassem se locomover pela cidade. A situação começou a melhorar quando a Estrada de Ferro Dom Pedro II, atual Central do Brasil, passou a operar na região, o que foi importante também para intensificar a ocupação territorial naquele espaço.

A estação Quintino data de 1876. Inicialmente, o nome era Cupertino – homenagem ao antigo dono de uma pedreira que fornecia material para construções na cidade. Anos depois, o local foi renomeado como Dr. Frontin e, mais tarde, em 1912, após a morte de Quintino Bocaiúva, a estação ganhou o seu nome. Hoje, além do sistema ferroviário, os moradores dispõem de diversas linhas de ônibus, capazes de integrar o bairro com outras áreas do Rio de Janeiro.

Educação, comércio e religiosidade

Com o intuito de promover um ensino profissional gratuito para milhares de habitantes, foi criada, em 1997, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). A sede da instituição fica na Rua Clarimundo de Melo, dentro de uma área com mais de 1.900.000 m². O bairro também abriga seis escolas e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI), da Rede Municipal, além de três unidades estaduais.

Em Quintino também está a Igreja Matriz de São Jorge, onde é celebrada, em 23 de abril, a festa em homenagem ao santo. Aguardada por milhares de fiéis, a tradicional festividade costuma encher as ruas, atraindo pessoas de diversas partes da cidade.
O Rei dos Pianos, uma loja tradicional do bairro, situada na Rua Nerval de Gouveia desde 1942, costuma atrair muitos cariocas interessados em comprar, vender, consertar ou afinar o instrumento. A qualidade do serviço é conhecida.

A casa onde Quintino Bocaiúva morou existe até hoje no bairro (Crédito: Wikimedia Commons)

Bens tombados

Ao passar pelas ruas do bairro encontramos construções do século XIX e meados do século XX, quando a região começou a se desenvolver. Na praça, o coreto, todo em metal, localizado em frente à estação ferroviária, é considerado patrimônio cultural da cidade, tombado pelo estado em 1985.

Os moradores que caminham pela Rua Goiás também podem se deparar com um antigo casarão, fora dos padrões das demais residências - é a casa onde morou Quintino Bocaiúva. Em estilo neoclássico, é outro patrimônio da cidade, tombado pelo decreto N°12.294, de 1993.

Galinho de Quintino

Mas nem só do jornalista Quintino Bocaiúva vive a fama do bairro. É difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar de Arthur Antunes Coimbra, o Galinho de Quintino, apelido do ex-jogador Zico, nascido e criado ali.

O atleta, durante uma entrevista, explicou que seu apelido foi dado pelo narrador Waldir do Amaral, porque “ele achava que eu era jovem, cabeludo e corria muito”. Consagrado até hoje como um dos maiores craques do Clube de Regatas do Flamengo, Zico disputou os mundiais de 1978, 1982 e 1986 pela Seleção Brasileira.

Fontes: FILHO, Luiz Carlos Prestes Filho. Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval, Rio de Janeiro: E-papers, 2009, p. 145-146.
Sites: Geo-Rio, Quintino News, Estações Ferroviárias, Globo Esporte, Faetec, Fundação Getúlio Vargas e Biblioteca Nacional.

 

* Beatriz Calado, estagiária, com supervisão de Regina Protasio.

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