02 Maio 2017
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Empatia, trabalho em equipe, criatividade e protagonismo são os pilares centrais do movimento Design for Change – que, no Brasil, recebeu o nome de Criativos da Escola. A iniciativa busca mobilizar crianças e adolescentes a criar projetos para melhorar seu entorno, estimulando o sentimento de pertencimento e o vínculo com a comunidade.

O programa foi criado pela designer Kiran Bir Sethi, na Índia, em 2006. Desde 2001, quando abriu sua escola – a Riverside School –, Kiran resolveu usá-la como um laboratório, em que pudessem ser experimentadas ferramentas do design no currículo e as crianças fossem estimuladas a participar ativamente de seus processos de aprendizado.

“Eu descobri que, se o aprendizado estiver incorporado ao contexto do mundo real, se você reduzir as diferenças entre a escola e a vida, então as crianças passam por uma jornada de conscientização, em que podem ver a mudança, possibilitar essa mudança e, então, capacitar, conduzir a mudança”, contou a designer, durante uma palestra do TED (Technology, Entertainment, Design), na Índia, em 2009.

O resultado foi tão positivo que a indiana decidiu replicar a ideia, criando o Design for Change, movimento que já está presente em 35 países e atinge mais de 25 milhões de crianças e adolescentes ao redor do mundo.

Para o Brasil, o projeto foi trazido por Carolina Pasquali, diretora do programa Criativos da Escola, do Instituto Alana – que se tornou o representante do movimento no país. 

“Em 2011, conheci o Design for Change por meio da palestra do TED e fiquei muito interessada em saber mais sobre a iniciativa e entender como trabalhar no Brasil. Depois de um primeiro contato, fui até a Índia me inteirar do projeto e encontrar os demais parceiros globais, que estariam reunidos pela primeira vez. Em 2012, começamos a testar os materiais e a proposta em algumas escolas brasileiras, para também podermos construir algo que fizesse sentido no contexto do país. Em 2015, lançamos o Criativos da Escola nacionalmente e também o Desafio, buscando histórias de transformação em todo o Brasil”, explica Carolina, ressaltando que a elaboração do material contou com o apoio de organizações da área educacional como, por exemplo, a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Como funciona o Criativos da Escola

O Design for Change, ou Criativos da Escola, é inspirado nos princípios do design thinking, ferramenta simples e inovadora que estimula a criação a partir da interação, da experimentação e da colaboração.

O programa é direcionado aos educadores do país, que podem levar o projeto a toda a escola ou implementá-lo apenas com os alunos de sua turma. A sugestão é que seja desenvolvido com crianças e adolescentes entre 9 e 15 anos, mas a abordagem pode ser adaptada e utilizada com estudantes de diferentes faixas etárias.

O material de apoio, disponibilizado gratuitamente no site, traz sugestões de atividades e ferramentas para auxiliar o trabalho do educador com o grupo. Ele se estrutura a partir de quatro verbos/etapas: sentir – fase em que crianças e adolescentes irão identificar situações em seu entorno que os afetem e que gostariam de mudar; imaginar – quando irão investigar a situação que escolheram trabalhar e criar soluções para ela; fazer – etapa de concretizar ideias e perceber que são capazes de produzir mudanças; e compartilhar – ou seja, divulgar o projeto e inspirar outras pessoas.

Carolina Pasquali, diretora do programa Criativos da Escola, do Instituto Alana (Foto: Divulgação/Alana)

O tempo total estimado para desenvolver o programa, seguindo as orientações desse material, é de cerca de 15 horas – aproximadamente 20 aulas –, mas a proposta é que cada professor ou responsável adapte o material conforme suas intenções, possibilidades e recursos.

“Ao estarem diretamente envolvidos e motivados, os estudantes se identificam e se dedicam mais ao projeto e, consequentemente, aos temas trabalhados por meio dele, aprimorando seus conhecimentos cognitivos e desenvolvendo capacidades de comunicação, de trabalho em grupo e a própria empatia quanto à escola e à realidade em que estão inseridos”, explica Carolina Pasquali.

No entanto, segundo a diretora do Criativos na Escola, as principais dificuldades de professores que desejam realizar projetos protagonizados pelos alunos, em geral, se referem a uma cultura pouco dialógica que marca muitas escolas e redes de ensino. “A educação brasileira tem se transformado constantemente, e já observamos mudanças mais ou menos consensuais quanto à importância da voz e da ação protagonista dos estudantes. No entanto, não são raras as situações em que tanto alunos quanto educadores abertos a sua participação sofrem resistências e pressões”, pontua.

“Quando fortalecemos essa rede, destacamos esses projetos e conectamos esses professores, reforçamos o movimento por uma educação de qualidade, emancipadora, justa e democrática. Estamos em busca de uma nova narrativa para a educação brasileira. Ela existe, mas, conectada, se fortalece enormemente.”

Desafio Criativos da Escola: inscrições abertas até outubro

O Desafio Criativos da Escola seleciona as 11 iniciativas que mais se destacam por seu protagonismo e impacto social. O objetivo da premiação nacional é celebrar projetos desenvolvidos em escolas públicas ou particulares que incentivem a formulação de soluções para eventuais problemas que atingem essas unidades, as comunidades ou os municípios onde estão inseridas.

Neste ano, o Desafio leva três estudantes e um educador de cada grupo para uma viagem ao Rio de Janeiro, onde irão participar de oficinas, vivências e atividades culturais, além do evento de celebração. Ainda como parte da premiação, os educadores responsáveis pelas equipes recebem R$ 500 e a escola, R$ 1.500 para celebrar a conquista e/ou investir no projeto.

“Em 2016, recebemos 1.014 projetos de todas as regiões brasileiras, com centenas de experiências incríveis, desde um coletivo de meninas negras que lutam contra o machismo e o racismo na escola até uma iniciativa de estudantes que gerou uma lei municipal de preservação da caatinga, no Ceará”, conta Carolina Pasquali, referindo-se ao projeto carioca Solta Esse Black, da Escola Municipal Levy Miranda, no Morro do Chapadão, na Pavuna.

“Este ano, nós queremos conhecer muito mais ações inspiradoras desenvolvidas por jovens em todos os cantos do Brasil. O Desafio é uma oportunidade de valorizar, dar voz e visibilidade ao trabalho dessas novas gerações.”

Os interessados podem enviar projetos já finalizados ou que ainda estejam em andamento, até o dia 1o de outubro, pelo site do Criativos da Escola.

 

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