29 Junho 2017
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Matemática cubo

Um grupo de trabalho (GT) de cerca de 60 professores de Matemática do 9º ano, oriundos das 58 escolas prioritárias (aquelas com menor desempenho) da Rede Municipal do Rio, têm se encontrado bimestralmente para refletir sobre práticas pedagógicas e novas metodologias educacionais que possam melhorar a aprendizagem de suas turmas. Como fazer com que crianças e adolescentes se interessem por exercícios de raciocínio em um mundo onde as atividades cotidianas são cada vez mais realizadas com um simples apertar de botão? Como convencê-los a fazer contas se, no celular, há uma calculadora que resolve tudo de forma muito mais rápida? Como, enfim, tornar a disciplina atraente?

Vânia Maia, da equipe de Matemática da Gerência de Ensino Fundamental – setor da Secretaria Municipal de Educação (SME) que está promovendo o GT –, logo avisa que essas indagações e desafios não são exclusividade das escolas públicas cariocas e brasileiras. A maioria dos países, salvo raras exceções, também tem passado por dificuldades no ensino da disciplina e, segundo ela, ao menos no Brasil, o problema é agravado porque, de forma geral, os cursos de licenciatura não têm sido muito eficientes na formação pedagógica dos professores. Preocupam-se mais com o ensino de conceitos e problemas matemáticos complexos do que com a reflexão de práticas e métodos capazes de promoverem o interesse de crianças e adolescentes dentro do contexto contemporâneo.

Adicione a essas questões as reclamações dos professores do GT: a maior parte de seus alunos chega com muitas deficiências na aprendizagem de conceitos matemáticos básicos. “Sempre digo a eles que precisam ter estratégias para sanar essas deficiências. Não adianta tentar avançar com um assunto, se os alunos ainda não dominam etapas anteriores”, diz Vânia Maia.

Apesar das reclamações dos professores, nas provas de avaliação promovidas pela SME, em 2016, a média geral das notas do primeiro segmento foi de 7,3. As do segundo, 5,2. Isso significa que, na verdade, as deficiências se aprofundam nos anos finais, embora isso não aconteça com os Ginásios Cariocas, que têm aula em período integral e professores com dedicação exclusiva. Os alunos do 6º ano experimental, que utiliza apenas um professor para ensinar todas as matérias, também apresentam desempenho melhor do que os das turmas convencionais.

Matemática pipa
Modelo de pipa proposto por um dos participantes do GT. Imagem: Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

Embora os Ginásios se vislumbrem como um caminho possível, sua multiplicação pela Rede envolve inúmeros fatores administrativos. E segundo Vânia Maia, o modelo do 6º ano experimental, de um só professor para cada turma, é inviável para as séries subsequentes porque os assuntos das disciplinas se aprofundam demais, tornando necessária a presença de especialistas. Por isso, a SME tem investido na formação do professor de Matemática e dado ênfase em novas metodologias educacionais que consigam capturar o interesse do alunado a fim de melhorar os resultados nos anos finais.

No encontro do GT dos professores do 9º ano, ocorrido em junho, eles foram desafiados a encontrar formas alternativas para ensinar alguns conteúdos. Um deles, seguindo a recomendação de sempre partir do concreto para depois chegar ao abstrato, confeccionou uma pipa tridimensional, formada por vários triângulos. A ideia é fazer a montagem junto com os alunos, para que eles percebam a importância do estudo dos ângulos e do cálculo de medidas precisas. Depois de pronta, a pipa ainda servirá de base para ensinar os conceitos de perímetro, área e volume.

Veja, na galeria abaixo, o que alguns outros professores propuseram. Clique nas imagens para ampliá-las.

Galeria de Imagens
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