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V Semana de Alfabetização
22 Setembro 2017
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A pedagoga Maria José da Gama Brum Amaral, especializada na Língua Brasileira de Sinais (Libras), comandou, na tarde do dia 21, a oficina “O aluno surdo e o processo de alfabetização: trocando conhecimentos sobre a língua de sinais”, parte da programação da V Semana de Alfabetização. A atividade teve intensa participação das professoras presentes, que estavam em busca de capacitação para lidar de forma eficaz com crianças surdas.

A presença de estudantes surdos em salas de aula regulares, e não mais restritas às escolas especializadas, é reflexo da atual política de inclusão. Eles têm direito e capacidade de aprender igual às demais.

Maria José iniciou a oficina explicando que o termo a ser usado para se referir à criança surda é esse mesmo, e não deficiente auditivo (quem nasce ouvindo e perde o sentido ao longo da vida, por alguma eventualidade), portador de surdez (pois quem porta algo pode transferir isso para outro) ou termos pejorativos, que constrangem e magoam.
Segundo a especialista, é necessário usar muitas figuras e desenhos, buscar uma parceria com a família, falar sempre de frente para facilitar a leitura labial e buscar saber a língua de sinais. Quando possível, solicitar a presença de um mediador ou intérprete em sala de aula. As crianças surdas são tão capazes quanto as outras, mas necessitam de adaptações para aprender.

Maria José explicou que a criança surda possui o aparelho fonador completo, o qual, se for estimulado, pode ser usado para o aprendizado da fala, que terá um som metalizado, mas inteligível.

Durante a oficina, as professoras puderam conhecer os sinais correspondentes aos números cardinais, , às palavras “mentira” e “verdade”, “pode” e “não pode”, “fácil” e “difícil” e aos dias da semana, além de verbos muito usados, frases e outros vocabulários em Libras.

A pedagoga esclareceu, ainda, que a língua de sinais não é universal, pois suas referências mudam de um país para outro. No Brasil, por exemplo, o mês de junho é simbolizado por um gesto que lembra as fogueiras de São João, o que não faz o menor sentido nos Estados Unidos. Cada nação tem seu próprio sistema.
A datilologia – ou seja, o alfabeto em Libras – é usada apenas para comunicar o nome das pessoas e soletrar algumas palavras. No resto do tempo, os surdos usam sinais que simbolizam palavras e expressões. “Amigo próximo”, por exemplo, se diz levando a mão ao coração de uma certa maneira. É importante notar que os sinais usados em Libras não são mera mímica.

A estrutura de Libras é diferente da estrutura da língua portuguesa. Libras não possui conectivos, concentrando-se nas palavras principais, que dão significado às frases. A expressão corporal e facial é outro fator muito importante na língua de sinais porque ajuda a passar a informação. Há, por exemplo, um sinal específico para “muito”, mas se a pessoa quiser dizer que trabalhou muito, pode apenas intensificar o gesto e a expressão facial durante o diálogo.

As participantes fizeram diversos exercícios para memorizar o conteúdo transmitido pela dinamizadora, como olhar e interpretar o que ela dizia por meio de Libras e ditados. Ao final da oficina, dividiram-se em duplas e produziram diálogos em língua de sinais, usando o que haviam aprendido durante a tarde. Todas saíram com mais conhecimento para ajudar seus alunos surdos a evoluírem no processo de alfabetização.

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