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V Semana de Alfabetização
26 Setembro 2017
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De que maneira apresentar Einstein para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental? Essa e outras questões foram levantadas e respondidas na prática, por meio de experiências, durante a oficina “Alfabetização científica: luz em ciências naturais e sociais”, parte da V Semana de Alfabetização, organizada pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. A oficina foi conduzida pela professora Sandra Regina Pinto dos Santos, doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretora-geral do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj). 

Segundo Sandra, os professores da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental têm o importante papel de despertar o interesse das crianças para a área de ciências. “Se o professor não estimula a criança a entender por que o céu é azul, de que maneira o forno de micro-ondas cozinha, como funciona o controle remoto e outras coisas, dificilmente teremos cientistas no futuro. A ânsia por ensinar a ler e escrever faz com que a maioria não se volte para a ciência”, alerta a educadora.

Durante a oficina, Sandra demonstrou três experiências que podem ser realizadas pelos professores: a da combustão, a do disco de Newton e a da “calculadora movida a batata”, todas descritas adiante. “Não existe cientificidade se não existe ludicidade. Não dá para fazer ciências sem brincar. A criança não se apaixona por ciências só copiando do quadro”, pontuou. 

Educadora pede atenção ao livro didático de Ciências

Ao final da oficina, Sandra fez um alerta com relação ao livro didático e aos cuidados que os docentes devem ter ao se apropriar do mesmo.

“É preciso ler com atenção para não confundir os alunos a partir de categorizações equivocadas de alguns livros. Muitas obras dividem os animais em selvagens e não selvagens, por exemplo, mas essa divisão não existe. Há também os que ainda fazem a divisão dos seres vivos em reinos Animal, Vegetal e Mineral; mas, na verdade, são cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia. Ou, ainda, livros que consideram a nuvem um exemplo de água no estado gasoso, mas não é. Vapor de água é como o amor: a gente sente, mas não vê. Enfim, existem erros grosseiros.”

Veja abaixo as experiências apresentadas pela educadora.

1) Experiência da combustão

Material:

- 1 copo de vidro;

(Foto: Fernanda Fernandes)

- 1 vela (de tamanho menor do que o copo);

- 1 pires;

- água;

- fósforo;

- anilina ou guache colorido.

Com a própria parafina, cole a vela no centro do pires. Então, coloque um pouco de água colorida com anilina ou guache sobre ele (o corante serve para facilitar a observação). Depois, acenda a vela e, em seguida, cubra-a com o copo de vidro.

Em pouco tempo, a vela se apagará e parte da água entrará no copo. Isso se dá porque, quando se fecha o sistema, o comburente (oxigênio) acaba. O volume de água que entra corresponde ao volume de oxigênio que foi consumido na combustão.

“A experiência consiste em fazer a criança perceber a importância da combustão que existe dentro do nosso corpo (no processo de respiração intracelular, no qual queimamos açúcar/glicose) e fora dele.”

 

2) Experiência da “calculadora de batata”

Material:

- 2 batatas (também podem ser limões ou tomates, por exemplo);

(Foto: Fernanda Fernandes)

- 3 fios de ligação pequenos com garras;

- 1 calculadora (modelo alimentado por pilha);

- 2 pregos de aço;

- 2 pregos ou espátulas finas de cobre.

Os fios de ligação devem ser presos da seguinte maneira:

Fio 1: prego de cobre da batata 1 + prego de aço da batata 2

Fio 2: prego de aço da batata 1 + polo negativo da calculadora

Fio 3: prego de cobre da batata 2 + polo positivo da calculadora

O cobre é o polo positivo e o aço é o negativo. Quando todos os fios são presos, sem a pilha, a calculadora liga. O experimento prova que o mundo funciona à base de energia.

“É uma maneira de apresentar Einstein para as crianças, levar a elas uma noção de energia. Uma maneira de introduzir é brincar dizendo que uma criança muito agitada está ligada na pilha, perguntar a ela onde está essa pilha. Quando a criança negar, basta dizer ‘ah, mas você come batata? Então, é isso que te dá energia!’ e apresentar o experimento, já montado.”

 

3) Disco de Newton 

Material:

- cartolina branca;

- lápis ou giz de cera nas cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta;

- transferidor;

- papelão;

- barbante;

- tesoura.

Com a ajuda de um transferidor, desenhe dois círculos em um papel branco e os divida em sete partes de mesmo tamanho. Recorte os círculos e pinte ambos obedecendo à sequência de cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.

Os furos devem estar alinhados e a cerca de 0,5cm de distância (Foto: Fernanda Fernandes).

Faça um círculo de mesmo tamanho ou um pouco menor no papelão e recorte. Cole os círculos que já foram coloridos no de papelão, um de cada lado. Então, faça dois furos pequenos alinhados, no centro do círculo, a uma distância de aproximadamente 0,5 centímetro, e passe o barbante por eles, conforme a foto.

Então, dê um nó nas pontas do barbante, estique o mesmo e faça o disco girar. Quando o disco gira com intensidade, se tem a impressão de que o disco é branco, comprovando que a luz branca é proveniente da soma das sete cores do arco-íris, como atestou Isaac Newton.

“A partir dessa experiência, também é possível falar que o mundo é movido por ondas magnéticas; explicar que nossos olhos veem apenas as cores do arco-íris; que o vermelho é o comprimento de onda mais lento e o violeta é o mais rápido – e, por isso, o pôr do sol tem tons alaranjados; que o controle remoto funciona por meio da luz infravermelha, invisível ao olho humano.”

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