13 Fevereiro 2019
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Equipe do EDI Dona Lindu, em Ramos (Foto: página da unidade escolar no Facebook)

Miriam Rodrigues, psicóloga, idealizadora do programa psicoeducacional de competências socioemocionais e habilidades para o bem-estar - Educação Emocional Positiva, considera o acolhimento fundamental para o aprendizado e explica as razões: “primeiro para diminuir o estresse; segundo, para ampliar os recursos e os padrões de pensamento que nos ajudam. Alguns pensamentos negativos, como, 'Nem adianta tentar', ou 'Eu sou burro mesmo', desencadeiam sentimentos que tornam o estudante desanimado, triste, com raiva. Essas emoções, por sua vez, são combustível para comportamentos como não fazer as tarefas e não prestar atenção à aula, com a consequente falência do aprendizado”. 

Segundo a especialista, as emoções positivas levam crianças e adolescentes para uma espiral de crescimento. “Sentindo-se acolhidos, seguros, brincando e se divertindo, estarão mais propensos a prestar atenção. O acolhimento no aprendizado está diretamente relacionado ao sucesso acadêmico. É uma relação onde todos ganham: alunos, professores e sociedade”. Miriam diz que essa é a chamada teoria de construir e ampliar. 

A psicóloga explica que as emoções positivas nos auxiliam a construir e a ampliar nossos recursos cognitivos, físicos e sociais porque fazem com que estejamos abertos para aprender, superando o padrão de pensamento de “lutar ou fugir”, gerado por emoções como raiva e medo. “O acolhimento favorece o surgimento de emoções positivas, como, por exemplo, a serenidade, a tranquilidade e a alegria”, disse.

Miriam é especializada em Educação Emocional e defende que emoções como a raiva e o medo causam um estreitamento de pensamento. Ela afirma que vivenciar emoções de raiva faz com que tenhamos pensamentos de ataque, de defesa do espaço e, consequentemente, o comportamento frequente é de ataque. “A pessoa se sente injustiçada e, então, se defende. Quando sentimos medo, o padrão dos pensamentos tende a ser sobre nos proteger, fugir. Não nos sentirmos seguros, procuramos nos esconder. Então, um ambiente que favoreça essas emoções, continuamente, dificulta o processo de aprendizagem. Isso faz com que o padrão de pensamento da criança fique entre atacar ou fugir. O acolhimento dos educadores propicia o surgimento de emoções positivas, de emoções mais confortáveis de se sentir e essas emoções fazem com que o padrão de pensamento seja mais amplo do que essa dualidade: atacar ou fugir".

SME-RJ

A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro orienta todas as escolas a receberem bem seus alunos. Andrea Barros, gerente de educação da 4ª CRE, disse que o acolhimento começa no

Diversas atividades são apresentadas no início do ano letivo para motivar os adolescentes. Uma delas é a eleição para o grêmio (Foto: Hélio Melo / Secretaria Municipal de Educação)

início das aulas e perdura por todo o ano letivo, seja para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental, o Peja, projetos de correção de fluxo e também na relação direção-professores.

Andrea ressaltou que a região onde atua, que abrange comunidades em vulnerabilidade social como a Maré, Parada de Lucas e Vila Cruzeiro, não se caracteriza apenas pela violência recorrente no noticiário, mas também por professores dedicados e famílias que querem que seus filhos aprendam. “Temos muitos bons exemplos na região, como os mais de 10 alunos da E.M. Olimpíadas Rio 2016, em Bonsucesso, recém-aprovados em escolas de ensino médio federais, ou o aluno da E.M. Odilon Braga, em Cordovil, que estava defasado na idade escolar e, depois de participar de um projeto de correção de fluxo, passou para a Faetec”.

Para a diretora do EDI Dona Lindu (3ª CRE), em Ramos, Sheila Carvalho, em se tratando de crianças pequenas, não é possível simplesmente dizer para entrar e estudar, é preciso delicadeza. “No primeiro dia de aula, fazemos uma reunião de toda a equipe docente com os responsáveis para que eles se sintam seguros sobre os profissionais que cuidarão de suas crianças. Explicamos o projeto pedagógico e as regras de funcionamento. Os alunos mais velhos ajudam os novatos: acalmam, chamam para brincar. Cuidamos para que o ambiente do EDI esteja limpo, bonito dentro da nossa simplicidade e que, principalmente, a equipe seja acolhedora”.

A delicadeza é uma constante no EDI D. Lindu (Foto: página da unidade escolar no Facebook)

 

A E.M. Presidente Médici (8ª CRE), em Bangu, atende do 6º ao 9º ano. A diretora Rosimeri de Oliveira procura mostrar aos adolescentes que a escola pretende auxiliar na sua formação e propõe que sejam parceiros nesse itinerário. Nesse sentido, as regras são apresentadas como modos de viver bem em conjunto e são oferecidas possibilidades de desenvolvimento: palestras sobre caminhos que podem percorrer na vida, informações sobre opções profissionais, técnicas para estudar sozinho, disponibilização de espaços para estudo individual no contraturno, passeios que a escola realiza durante o ano (o projeto Ame, Conheça e Preserve já levou os estudantes para o Museu do Pontal, Forte de Copacabana e Lona Cultural de Bangu, entre outros locais), disciplina eletiva de artes marciais, festas como feira cultural e junina. “Também conversamos com os responsáveis pelos adolescentes, pedimos que colaborem conosco. Dizemos a eles que se uma casa com cerca de cinco pessoas não é fácil de administrar, imaginem uma escola com 800 estudantes. É preciso parceria para que tenhamos sucesso”, finaliza Rosimeri.

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