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Bairros Cariocas
20 Fevereiro 2019
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Vista do local conhecido como “Pico do papagaio”, símbolo do bairro (Foto: Lucas318/Creative Commons)

Localizado na região da Grande Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o bairro do Grajaú é conhecido como um local tranquilo, de ruas largas e arborizadas, com muitas casas, jardins e clima residencial. Com 38.671 habitantes e uma área de 573,9 hectares, segundo o censo do IBGE de 2010, é estimado por conservar, no estilo de vida e nas relações entre seus moradores, elementos de cidade do interior.

A região, muito procurada para moradia, é basicamente de classe média. Tem como bairros vizinhos Tijuca, Vila Isabel, Andaraí, Engenho Novo, Lins de Vasconcelos e Jacarepaguá.

De fazenda açucareira a bairro planejado

No século XVI, o Grajaú pertencia a uma grande sesmaria doada aos padres jesuítas. As terras da região conhecida como Andaraí Grande foram utilizadas para o cultivo da cana-de-açúcar. Com a abolição do termo Andaraí Grande, no final do século XIX, surgiram os bairros de Vila Isabel, em 1873, e Aldeia Campista e Grajaú, em 1912.

O nome Grajaú vem do termo indígena “uirá-ya-hú”, ou a corruptela “grajahú”, em alusão ao formato da Pedra de mesmo nome, semelhante ao cesto que os índios usavam para levar as aves caçadas vivas.

O bairro foi edificado sobre o Vale dos Elefantes, ao sopé do Maciço da Tijuca, próximo ao Pico do Papagaio, pedra que se tornou seu símbolo. A Rua Barão de Mesquita foi a primeira aberta na região, com o nome de Estrada do Andarahy, em 1875. 

A Rua Grajaú, no ano de 1925 (Foto: Revista Careta/Biblioteca Nacional Digital)

Foi na década de 1920 que o Grajaú adquiriu seu formato atual, com ruas organizadas em quadriculado e uma praça central – Edmundo Rego. A Avenida Engenheiro Richard, principal via local, recebeu esse nome em homenagem a Antonio Eugênio Richard Júnior, engenheiro responsável pelo planejamento do bairro. 

No início do século XX, a região começou a ser atendida por uma linha de bondes elétricos que, mais tarde, veio a ser extinta. A partir de 1950, houve um significativo aumento da população local, sendo construídos condomínios e prédios para atender a demanda por residências. Essas edificações modificaram a paisagem, anteriormente ocupada apenas por casas.

Calmaria no movimentado Rio de Janeiro

As características interioranas do bairro estão muito relacionadas à disposição dos serviços e a como eles se organizam. Ao redor da Praça Edmundo Rego há um pequeno comércio com supermercados, açougues, quitandas, padarias, farmácias, petshops, papelarias e, recentemente, uma horta comunitária. No local, que é centro geográfico do bairro, o morador encontra, também, opções de bancos, escolas, creches, academias de ginástica e cabeleireiros. É agradável andar a pé e o trânsito lá está longe de ser comparado ao de outros bairros da cidade. 

Aos domingos e feriados, a Praça é fechada à circulação de carros e as crianças podem brincar na rua. Com bicicletas, bolas e cordas, os pequenos tomam conta do espaço público junto com as famílias. O interior da praça é ocupado por uma feirinha de artesanato e brinquedos como pula-pulas e outros. Lá também acontecem diversos eventos culturais para todas as idades.

Dois tradicionais clubes também fazem parte das opções de lazer da região: Grajaú Tênis Clube e Grajaú Country Clube. Os dois são utilizados pelos moradores para praticar esportes, aproveitar dias de lazer e frequentar feiras e shows que movimentam a vida pública local. Presentes desde o início do século XX, os clubes estão nas lembranças da maioria dos residentes e visitantes do bairro.

Outro destaque é a igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de arquitetura bizantina. A congregação organiza diversos eventos, sendo a festa junina o mais conhecido. Acontece em um final de semana do mês de junho, quando a Praça Edmundo Rego é tomada por barraquinhas com comidas típicas, brincadeiras e quadrilhas. Um palco é montado no centro da praça para animar o público com música caipira e outras canções tradicionais.

Banhistas no Grajaú Tênis Clube em 1959 (Foto: Luiz Santos/Arquivo Público do Estado de São Paulo - Fundo Última Hora)

Parque Estadual do Grajaú

O Parque, que faz parte da Floresta da Tijuca e separa o Grajaú da Baixada de Jacarepaguá, tem 550.000 metros quadrados dos quais 30.000 são destinados ao lazer da comunidade. Em 1978, ele foi criado como uma reserva ambiental e, no final de 2002, elevado à categoria de parque. É tido como o coração do bairro e abriga diversas espécies de fauna e flora, sendo intensamente utilizado pelos moradores como um ambiente para entrar em contato com a natureza e praticar esportes.

Várias atividades ocorrem ali, de piqueniques a alpinismo. O slackline – fita elástica que simula uma corda bamba – é a mais nova opção. Vários praticantes do esporte armam seus equipamentos entre as árvores do parque e as crianças aproveitam para experimentar novas aventuras. Sessões de Tai Chi Chuan e Yoga ocorrem pelas manhãs e perpetuam o clima de tranquilidade.

Cultura, educação e lazer

No Grajaú, existem centros culturais com rodas de conversa e grupos de estudos sobre filosofia, psicoterapia, além de espaços de incentivo à arte-educação. Núcleos de atendimento e palestras sobre prevenção e identificação da violência contra crianças e adolescentes também são encontrados na região. Os moradores do bairro e das comunidades Nova Divineia, Borda do Mato, Parque JK e Parque João Paulo II têm acesso a duas creches municipais, cinco escolas e o Espaço de Desenvolvimento Infantil Professora Lucia Maria Quitete de Carvalho Amaral.

O número de botecos e bares cresceu nos últimos anos, criando opções noturnas de lazer para os moradores e atraindo um público de visitantes cada vez maior. Festivais de food trucks foram incorporados ao calendário do bairro e agitam a noite com alta gastronomia e shows, fazendo do Grajaú um ambiente eclético e diverso.

Fontes: Instituto Pereira Passos e artigo Grajaú, memória e história: fronteiras fluidas e passagens de Márcia Pereira Leite.

*Clara Almeida, estagiária, com supervisão de Carla Araújo

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