17 Junho 2019
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Em 2019, a Educação Física tornou-se parte da matriz curricular do Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja) do município do Rio de Janeiro. “O objetivo é desenvolver nos alunos a cultura corporal, mostrar-lhes a importância de se movimentar, tanto física quanto mentalmente”, explica Osvaldo do Carmo de Oliveira, professor do Centro Municipal de Referência de Educação de Jovens e Adultos (Creja).

Saiba mais sobre a atividade e conheça a impressão dos alunos.

A disciplina é uma demanda dos próprios alunos dessa modalidade desde 2006, expressa em um encontro anual com a Gerência de Educação. Um projeto piloto teve início em 2008, atendendo uma escola por CRE, totalizando 10 unidades, naquele momento. Em uma década, a disciplina chegou a 30 escolas e, este ano, passou a fazer parte da rotina de 137 escolas, envolvendo 123 professores.

São dois tempos semanais, normalmente no turno da noite, devido ao perfil do público atendido, que, em sua maioria, trabalha nos outros horários. Apenas o Creja, no Centro, e o Ceja, na Maré, possuem aulas diurnas. “Estamos cobrindo quase 100% das unidades que oferecem Peja”, diz Priscila de Andrade Oliveira, gerente de Educação da modalidade na SME.

E.M. Rubens Berardo, Inhaúma (Foto: arquivo professor Osvaldo Oliveira)

Osvaldo Oliveira é professor de Educação Física do Peja desde o projeto piloto. Começou na E.M. Rubens Berardo (3ª CRE), em Inhaúma, e agora leciona no Creja, no Centro do Rio. “O desafio para o professor é imaginar atividades que incluam toda a diversidade que caracteriza uma turma de Peja, com adolescentes, idosos, com origens culturais e geográficas diversas”.

Quando dava aulas em Inhaúma, onde havia quadras esportivas, realizava jogos cooperativos, nos quais adaptava as regras para que todos pudessem socializar e se integrar ao grupo. Assim, no jogo de futebol, algumas vezes, só as mulheres podiam fazer gol e os homens eram goleiros. Os mais jovens atuavam como juízes, em conjunto com o professor. O combinado não era estático e variava ao longo do tempo, dando oportunidade a todos.

Há escolas sem ambientes exclusivos para a educação física, mas o “direito à educação, incluindo a prática corporal, permanece”, explica Rosa Malena Carvalho, professora do Instituto de Educação Física da UFF. Muitos professores da Rede se esforçam e adaptam locais, como sala de aula ou auditório, para oferecer alongamento com cordas elásticas e ginásticas diversas.

Livro sobre o tema

A experiência da SME foi registrada no livro Educação Física na EJA, da editora CRV, disponível nas escolas públicas com EJA de todo o Brasil. Os autores são professores e gestores da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio. Um deles é Rosa Carvalho, ex-professora do município e atualmente na UFF. “Pesquiso o corpo e a cultura na formação de docentes porque sabemos que o corpo não é algo apenas material, mas também um produto sociocultural. É muito importante que professores tenham essa dimensão, pois esses profissionais são fundamentais na formação dos estudantes”, ressalta Rosa.

Osvaldo Oliveira conta que os colegas das outras disciplinas reconhecem o valor dos exercícios físicos para o aprendizado em geral. Dizem que os estudantes ficam mais abertos, com melhor coordenação motora e propensos às interações e ao diálogo. Osvaldo sabe o porquê: “o cérebro se beneficia das movimentações corporais”.

Projetos

E.M. Frederico Trotta, Barra da Tijuca (Foto: arquivo professor José Roberto Carvalho)

José Roberto Carvalho, professor de Educação Física da E.M. Frederico Trotta (7ª CRE), na Barra da Tijuca, gosta de trabalhar com projetos, aliando conteúdo cultural às práticas esportivas. Em 2018, ele desenvolveu o Peja na Rússia, no qual aliava caminhada e corrida ao aprendizado de noções básicas do alfabeto cirílico e do idioma russo. Assim, os alunos pegavam um nome em português e corriam até outro ponto determinado para fazer a transliteração. No futebol, os gols eram confirmados depois de o placar ser proferido em alto e bom som com números em russo.

No projeto chamado Corrida Eleitoral, a turma precisava desvendar pistas que os levavam de um local a outro no condomínio onde a escola está situada – uma região verde, agradável e segura para caminhadas noturnas. Para vencer, todos deviam se unir para resolver as questões propostas, inclusive os estudantes com necessidades especiais. “Já dei muita aula padrão, hoje procuro promover a convivência e a solidariedade em movimento”, finaliza José Roberto.

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