26 Julho 2019
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A Base Nacional Comum Curricular – BNCC – estabelece o potencial da escola como espaço formador e orientador para a cidadania consciente, crítica e participativa. Para os anos finais do Ensino Fundamental em Geografia o documento é mais específico e recomenda que os professores destaquem aspectos relacionados ao exercício da cidadania de modo que os estudantes possam reconhecer as transformações impostas pelas atividades humanas no mundo em que vivem.

Cynthia Vallim, professora de Geografia da Rede Pública Municipal de Ensino desde 2009 e, atualmente, assessora da Coordenadoria de Educação Básica da SME, diz que em sala de aula sempre usou o conceito de políticas públicas para contemplar parte importante do conteúdo previsto. “O espaço geográfico não se constrói ao acaso. Diversos entes participam. Um deles é o Estado, por meio das políticas públicas. O professor de Geografia que omite essa informação sonega uma parte importante para que o aluno compreenda o todo”.

Isaura Barreto, coordenadora de Educação Básica na SME, diz que “abordar o conceito de políticas públicas com os estudantes do Ensino Fundamental é de extrema importância, com o cuidado de não partidarizar a questão ou fazer panfletagem”.

Durante o período em que Isaura foi diretora da E.M. Ceará (3ª CRE), em Inhaúma, instituiu uma disciplina eletiva chamada A tal da política. A eletiva surgiu a partir do Clube de Debates, um momento em que os professores e gestores ouviam os alunos e dialogavam sobre assuntos que os jovens colocavam em pauta. Nesse contexto, surgia a noção de certo e errado, os direitos e os deveres, a realidade e como ela deveria ser.

A tal da política

Disciplina eletiva A tal da política, na E.M. Ceará

Cynthia Vallim era a responsável pela disciplina eletiva. “A ideia era instrumentalizar os alunos para que entendessem o que é e para que serve a política pública em qualquer esfera, seja nacional, estadual ou municipal. Havia um pouco de teoria política (estrutura e organização do Estado, Estado brasileiro, como as políticas públicas chegam à vida dos cidadãos). E também muita mão na massa: observávamos o surgimento de políticas públicas, seja pela vontade de um secretario de governo, que a anunciava em sua rede social, seja por meio da criação de uma lei no poder legislativo”, explica.

Durante dois anos, foram diversas as abordagens. Em uma delas, a professora de Geografia se associou à de Matemática, que trabalhava análise de dados, e as duas convidaram uma economista para falar aos estudantes sobre orçamento. Em outra, Cynthia mostrou aos estudantes os mecanismos de participação popular, levou-os para visitar a Câmara de Vereadores do Rio e convidou um vereador para conversar com os estudantes sobre sua trajetória e formação. Havia também trabalho em grupo, como o que pedia, durante as eleições, para os alunos destacarem os pontos positivos e negativos do programa de governo do candidato escolhido por cada grupo, nas áreas de educação, saúde e segurança.

Anos finais em Geografia

Estudantes da E.M. Ceará visitaram a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro

Segundo Cynthia Vallim, o conceito de política pública é útil para as aulas regulares de Geografia nos últimos anos do Ensino Fundamental. “Os conteúdos propostos para o 8º e 9º anos, como geopolítica e continentes, necessitam de análise comparativa e é preciso falar em políticas públicas para explicar diferenças e similaridades entre países. Como falar de indicadores socioeconômicos, analfabetismo de adultos e renda per capita, sem falar de políticas públicas? É preciso contextualizar para que entendam: de onde surge o fenômeno em questão? Inserido em qual projeto de sociedade, que implementa a política x ou y? O próprio material que utilizam na Rede Pública Municipal de Ensino é fruto de uma política pública”.

Sustentabilidade

Beatriz Santos, da subsecretaria de Ensino da SME, e a equipe de Geografia que prepara o material didático contam que, para o segundo semestre, a indicação para o 6º ano Carioca é trabalhar políticas públicas voltadas para a sustentabilidade. “Sugerimos aos professores que abordem questões pertinentes aos problemas ambientais; ao reuso; ao reaproveitamento e à bioarquitetura. Nesse contexto, devem falar sobre o uso consciente dos recursos como uma possibilidade para o presente, tanto nas escolas como nas comunidades em que vivem”, recomenda.

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