05 Novembro 2019
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Estudantes melhoram seus conhecimentos em gravação, edição e publicação digital com celulares (foto: arquivo do professor)

“A oficina de produção de vídeo para a plataforma digital YouTube ensina aos adolescentes com histórico de falta às aulas que o aprendizado é importante para aplicação na vida concreta de cada um deles. Além disso, os estudantes exercitam funções múltiplas, como as de ator, escritor e editor”, explica Rodrigo Siqueira, professor do Núcleo de Arte Copacabana (2ª CRE), local onde aconteceu o projeto-piloto Youtuber, que deve se tornar uma oficina regular em 2020.

A ideia surgiu a partir dos problemas de frequência de um estudante da 2ª CRE, que era muito aplicado quando o que estava em questão era produzir vídeos para o YouTube. O aluno contava, inclusive, com o apoio financeiro da família em suas produções. Andrea Aquino, da 2ª CRE, propôs ao professor da oficina de vídeo do Núcleo de Arte que formatasse um curso para alunos que quisessem produzir vídeos para o YouTube. O objetivo era atrair para a unidade escolar adolescentes refratários, oferecendo a eles aulas de seu interesse. Desse modo, o conceito que também estava sendo ensinado era que a escola prepara para a vida almejada.

O projeto-piloto Youtuber teve quatro encontros em setembro. “A meta foi orientá-los para trabalhar com materiais e recursos acessíveis. Mostro como funcionam aplicativos para o sistema operacional Android, que está na maioria dos celulares”. O Filmix insere efeitos especiais; o Videoshop edita e coloca música e outros sons; o uso do Chroma Key pode ser conseguido por meio do Kinemaster. Mesmo para celulares com pouca memória, o professor tem uma ferramenta apropriada: o aplicativo Videoshow faz um pouco de tudo o que foi descrito anteriormente nessa condição.

Por meio do celular e dos games, o professor Rodrigo Siqueira mostra aos alunos que a escola ensina conteúdos importantes para a vida (foto: arquivo do professor)

Cada aluno fez um vídeo sobre um jogo de videogame. “Usamos uma TV e filmamos com uma câmera no tripé. Como não tínhamos uma placa para a captura do jogo, solucionamos o impasse enquadrando apenas a tela do jogo no momento da competição, enquanto o youtuber-aluno narrava”, contou Rodrigo.

Um outro aspecto importante da oficina foi orientar os alunos sobre a  “trolagem”, muito comum em inúmeros canais da plataforma. “Expliquei a eles que pregar peças nos outros não é humor, que podemos ser mais construtivos. Muitos canais enganam pessoas, que se tornam risíveis aos olhos dos demais, que assistem às cenas. Outros, aplicam trotes na própria mãe, chegando em casa com a camisa manchada de vermelho, dizendo que foram atacados na rua. A reação de desespero da mãe é gravada e exibida na internet, para chacota geral. Isso não é engraçado. Digo a eles que esse tipo de atitude é antieducativa, pode chegar ao extremo de matar do coração, se o indivíduo for hipertenso; causa transtornos; diminui o outro. Proponho que, em vez disso, empreguem sua energia e criatividade em canais mais construtivos, que discutam, por exemplo, temas de interesse deles, como quadrinhos, grafite, esporte, maquiagem etc.”, defende o mestre.

Espaço para youtubers

A MultiRio reconhece o papel dos novos formatos e plataformas no processo ensino-aprendizagem. Por isso, está se preparando para oferecer, em breve, aos professores-produtores de audiovisual da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro recursos técnicos e profissionais. O MultiRio Space receberá projetos de professores-produtores para viabilizar seus trabalhos dentro de suas instalações, com a orientação de profissionais.

Outra iniciativa recente nessa área foi o Festival MultiRio 2019 - Web + Games, cuja cerimônia de homenagem e premiação aconteceu no Memorial Municipal Getúlio Vargas, na Glória, em 18 de outubro. Na ocasião, os professores e alunos produtores de vídeos para web e games selecionados se reuniram para o anúncio do resultado final, uma mostra expositiva e troca de experiências.

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