04 Dezembro 2019
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Encontros geracionais na ExpoPeja (Foto: Alberto Jacob Filho)

Com apresentações de trabalhos desenvolvidos nas 11 Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), a 20ª edição do ExpoPeja encerrou a Semana do Programa de Educação de Jovens e Adultos, no último dia 29, no Clube do Servidor Municipal, na Cidade Nova.

Entre as diversas produções, destacaram-se, inclusive numericamente, os trabalhos com temas relacionados a questões étnico-raciais, sobretudo à cultura africana e a autores negros e negras. Bonecas abayomi, orixás e mitologia, capoeira e até mesmo um “Masterchef África”, competição culinária com pratos de influência africana, realizada pelo Peja da E.M. Pedro Aleixo (7ª CRE), na Cidade de Deus, foram apresentados.

Literatura de cordel, xilogravura, sustentabilidade e cuidados com o corpo também estavam entre os assuntos abordados pelas escolas. O evento contou, ainda, com apresentações musicais, danças e encenações.

Com uma voz que impressionou as pessoas presentes no local, Maria Aparecida Seda da Silva, 51 anos, aluna do Ciep Carlos Drummond de Andrade (7ª CRE), na Praça Seca, apresentou a música Preconceito, de sua autoria. “Eu compus e a professora me ajudou a acertar uns detalhes, a conseguir achar um ritmo. Já passei muito preconceito e queria fazer algo sobre isso, como dar uma palestra e também fazer uma apresentação musical”, diz a aluna, que compõe outras canções fora da escola e pensa em, um dia, se apresentar pela cidade. “A primeira vez que cantei na escola foi com essa música. Na apresentação de hoje, eu estava mais tranquila, sem nervosismo.”.

A aluna Maria Aparecida Seda da Silva foi um dos destaques, cantando uma composição própria sobre preconceito (Foto: Alberto Jacob Filho)

Professora orientadora do Ciep, Etany Cardoso conta que Maria Aparecida levou a letra da música pronta e mostrou durante uma das aulas de reforço de alfabetização comandada pela docente. “Fizemos poucos ajustes e eu disse que ela teria que mostrar isso para as pessoas. Filmei e uma colega editou o vídeo. Apresentamos, pela primeira vez fora da escola, no encontro da 7ª CRE. Lembro que, enquanto eu filmava, chorava. Ela é uma potência!”.

Além das apresentações, o estande da 11ª CRE foi outro destaque, com o tema Africanidades. Uma espécie de tenda, fechada com cortinas tipo blackout, foi montada para que, no interior, trabalhos feitos pelos alunos com marca-textos e tintas fluorescentes – como máscaras e instrumentos musicais customizados – ganhassem vida ao serem iluminados com uma luz negra “caseira”.

A ideia inicial veio de uma experiência do professor Ércio Ricardo Novaes, que atua na E.M. Brigadeiro Eduardo Gomes e no Ciep João Mangabeira, ambos na Ilha do Governador. “Fizemos experimentos e produzimos uma luz negra, colocando um pedaço de fita adesiva transparente na lanterna do celular e pintando com uma caneta permanente azul. Então, ao acender a lanterna em um ambiente escuro e direcionar a luz para os elementos fluorescentes, eles brilham”, explica o docente.

A proposta foi apresentada durante uma reunião da 11ª CRE e recebida com entusiasmo por Leandro Santos, diretor do Ciep João Mangabeira, e pelas coordenadoras do Peja da referida coordenadoria, Rosana Rezende e Valéria Martins, que pensaram coletivamente em uma maneira de abordar o tema escolhido e estruturar o estande na ExpoPeja.

Programação da Semana do Programa de Educação de Jovens e Adultos

Produções dos alunos ganham vida em experimento da 11ª CRE (Foto: Alberto Jacob Filho)

Prevista no calendário pedagógico, a programação da semana contou com formações para diretores e professores orientadores e regentes, realizadas entre os dias 25 e 27 de novembro, e um seminário para as escolas exclusivas – o Centro de Referência em Educação de Jovens e Adultos (Creja), no Centro, e o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), na Maré –, no dia 28.

Aproximadamente 20 escolas participaram da ExpoPeja, fora as unidades que foram por conta própria. Os trabalhos apresentados já haviam sido exibidos no Encontro de Alunos do Peja, realizado no final do mês de outubro, e que funciona como uma etapa regional da exposição.

“Esse tipo de evento fortalece e incentiva o aluno a continuar estudando. É muito importante para a autoestima deles. Podemos ver todo o potencial dos alunos do Peja, que foram afastados da escola, que achavam que a escola não era lugar para eles, mas retornam e produzem muito!  É fantástico”, entusiasma-se Priscila Oliveira, que coordena a Gerência de Educação de Jovens e Adultos na SME-Rio.

A gerente destaca a participação da turma de Peja da Escola Especial Municipal Francisco de Castro (2ª CRE), no Maracanã. “Sempre fazem uma performance incrível, ótimas apresentações.”

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