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22 Maio 2020
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Wilgengebroed, Flickr, creative commons

Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil indicam que o acesso à web praticamente triplicou durante o atual período de isolamento social provocado pela covid-19. Isso requer um cuidado redobrado com a navegação, especialmente quando se busca informações e serviços relacionados à pandemia. Wagner Bittencourt, assessor-chefe do setor de Tecnologia da Informação da MultiRio, explica que os procedimentos de segurança na internet continuam os mesmos, mas lembra que os assuntos mais procurados pela sociedade costumam ser alvo de ataques de hackers.

Com a temática do coronavírus e do confinamento, o Dfndr Lab, laboratório especializado em segurança digital, já contabilizou mais de 250 aplicativos falsos e 125 páginas maliciosas. O Google deletou os aplicativos não confiáveis de sua Play Store, mas eles já haviam recebido mais de 200 mil downloads, antes de serem removidos. Isso inclui alguns apps que simulavam ser o aplicativo oficial da Caixa, de cadastramento dos interessados no auxílio emergencial do Governo Federal.

Wagner Bittencourt explica que é fundamental prestar atenção em tudo o que se baixa na internet e nos cliques que se dá, porque há muitos links maliciosos e falsos apps na internet. Fora isso, é primordial manter o sistema operacional do computador (ou do celular) sempre atualizado. O mesmo acontece com o antivírus que, como qualquer outro aplicativo, deve ser preferencialmente baixado na página do fabricante, ou em outro endereço confiável, porque as versões oficiais garantem atualizações constantes e correções de falhas.

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Rsedes sociais e e-mails são alvo predileto dos hackers. Kexino, creative commons

Segundo publicação do Dfndr Lab, a maior parte dos links maliciosos têm o objetivo de roubar dados pessoais e financeiros dos internautas, ou levá-los a páginas falsas para visualização de publicidades excessivas. Os golpes mais comuns têm sido disseminados, principalmente, por meio de troca de mensagens no Whatsapp, e costumam estar relacionados à oferta de benefícios, como o auxílio emergencial do governo, serviços gratuitos de streaming, doações de máscaras, de álcool gel e até mesmo de cerveja!

O assessor-chefe em Tecnologia da Informação da MultiRio lembra que também é muito comum golpes por e-mails e outras redes sociais. “Desconfie sempre das ofertas mirabolantes. É preciso tomar muito cuidado com isso. Antes de clicar em qualquer link que leve à suposta oferta, é importante visitar o site oficial da empresa, ou ligar para algum telefone de atendimento, a fim de saber se a informação procede”, alerta.

Os estratagemas mais utilizados, no momento, têm sido aqueles que tentam distrair o usuário, enquanto o hacker faz o ciberataque. Normalmente, a distração é conseguida por meio da solicitação de preenchimento de um questionário, que simula credibilidade e que, ao final, "habilita” o internauta ao recebimento do “benefício”. A disseminação do golpe é garantida no último passo. Para consolidar o suposto direito de recebê-lo, o internauta precisa compartilhar o link com 10 pessoas.

Até o momento, segundo o Dfndr Lab, o ciberataque campeão de acessos e compartilhamentos (11 milhões) é um que simula a página oficial do Governo Federal para recebimento do auxílio emergencial pago pela Caixa. Em segundo lugar, com 65 mil acessos e compartilhamentos, está o golpe que criou uma falsa ação solidária do Netflix, com uma suposta oferta de acessos gratuitos à sua plataforma de streaming, durante o período de isolamento social.

Compras e plataformas digitais

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Cuidado com os aplicativos que baixar. Alguns podem ser falsos. Wofman K., Flickr, creative commons

Muitos professores e alunos, além de outros profissionais, estão utilizando as plataformas digitais para, entre outros usos possíveis, postar conteúdos, dar aulas e fazer reuniões online. Segundo Wagner Bittencourt, quando qualquer serviço ou aplicativo sofre um aumento significativo no número de acessos, a identificação de falhas também se intensifica. Cibergolpistas costumam ficar atentos a isso e a todas as possíveis brechas que facilitam o hackeamento, da mesma forma que os desenvolvedores buscam a rápida correção delas.

“Por isso, é importante estar atento às atualizações e a todas as recomendações dos fabricantes. Vale à pena gastar um tempo com a leitura delas. Não adianta tanto cuidado do desenvolvedor, se você abre uma conta e não põe senha, se não tem qualquer controle e permite que qualquer um tenha acesso a ela”, alerta.

O isolamento social também aumentou exponencialmente as compras online. Como saber se a transação é segura? Wagner Bittencourt diz que uma das coisas a se fazer é verificar se o site ou aplicativo tem um cadeado fechado, em algum lugar da página de pagamento. Isso indica que a loja tem um certificado de segurança. Clicando no cadeado, se obterá, inclusive, os dados da empresa responsável pela transação do pagamento. “Mas o mais importante é ficar atento ao endereço digital da loja, verificar se é aquele mesmo, pois pode haver uma pegadinha que tenta simular o verdadeiro endereço. Também é preciso ter certeza de que está em equipamento seguro. Não recomendo fazer compras em lan houses, por exemplo”, diz. Os endereços das lojas, fabricantes e prestadores de serviços costumam ser simples e, normalmente são formados apenas por seu nome mais o domínio do topo (como a extensão ".com", ou ".com.br"). Ao abrir qualquer site, verifique também se, antes do endereço, aparece a sigla "http://" ou "https://", pois indicam que a página atende a protocolos de segurança.

10 dicas de segurança

Veja, abaixo, as dicas para fazer uma navegação segura:

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Antes de fazer pagamentos online, verifique se o site tem certificado de segurança. Tango Project, creative commons

1 – Mantenha o sistema operacional e o antivírus (ou aplicativo de segurança) sempre atualizados.
2– Selecione seus seguidores. Não clique em qualquer link, especialmente se estiver em um grupo numeroso de Whatsapp, ou for postado, em qualquer outra rede social, por pessoa que não conhece.
3 – Desconfie das promoções mirabolantes enviadas por e-mails ou postadas nas redes sociais. Confira, na página oficial da empresa que supostamente oferta a promoção, se o benefício realmente existe.
4 – Quando baixar aplicativos (ou programas), certifique-se de que se trata de uma versão oficial.
5 - Verifique o desenvolvedor para saber se o aplicativo é confiável. Leia as avaliações dos usuários e desconfie caso sejam insuficientes ou negativas.
6 – Nunca forneça dados pessoais e bancários em sites ou aplicativos de procedência desconhecida.
7 – Fique atento aos endereços digitais das lojas e demais fornecedores de serviços. Cibergolpistas costumam simular endereços que pareçam verossímeis.
8 - Só faça compras online em equipamentos seguros. Evite fazer transações em lan houses.
9 – Verifique se existe um cadeado (certificado de segurança) na página de pagamento.
10 – Utilize senhas seguras, que tenham números, letras maiúsculas e minúsculas e caracteres especiais.

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