Da série
MCE Reportagens
21 Julho 2020
0
0
0
s2sdefault
 
Imagem: Pixabay

Neste período de isolamento social, muitos têm sido os desafios enfrentados por gestores, professores e pelas famílias para manter o vínculo dos alunos com a escola. Na E.M. José Emygdio de Oliveira (5ª CRE), em Oswaldo Cruz, as estratégias de aproximação e interação com os alunos foram traçadas a partir de uma pesquisa realizada com os responsáveis, para entender a realidade e as limitações tecnológicas de cada um. O trabalho desenvolvido pela escola é sistematizado e divulgado, periodicamente, por meio de um portfólio digital criado com a plataforma Microsoft Sway.

“Esse momento difícil de aprendizado diário para todos nós evidenciou desigualdades que já existiam e que precisamos combater no pós-pandemia. Nosso desafio é tornar o ensino remoto mais democrático ou menos segregador. Não temos a ilusão de que vamos atingir a todos, mas queremos diminuir a distância. Para isso, traçamos nosso plano de ação partindo da realidade vivida por nossos alunos e suas famílias, explorando redes sociais como o WhatsApp e o Facebook, que gastam menos dados e cujo acesso está incluso em muitos planos de telefonia móvel”, explica o coordenador pedagógico da escola, Marcus Vieira.

A pesquisa foi enviada aos responsáveis pelos alunos por meio de um formulário on-line, divulgado nas mídias sociais da escola e por telefone. Além da já prevista limitação de acesso à internet – com o uso restrito de dados móveis e de redes de Wi-Fi –, a gestão pôde levantar outros dados.

“Poucos alunos possuem computador ou notebook em casa. Geralmente, eles realizam as atividades usando o celular do responsável – que possui internet –, à noite, quando o familiar volta do trabalho e pode emprestar o aparelho. Em muitos lares, esse mesmo aparelho é compartilhado por todos os irmãos. Outro aspecto que pudemos destacar, ainda que não fosse nosso objetivo inicial, é a participação majoritariamente feminina na mediação entre a escola e o aluno. As mulheres foram  responsáveis por responder a maioria dos formulários e, segundo dados do Facebook, elas são responsáveis por 72% das curtidas e atividades em nossa página,  40% delas com idade entre 25 e 44 anos, faixa etária mais comum entre as mães dos nossos alunos”, relata Marcus Vieira.

A E.M. José Emygdio de Oliveira possui, ao todo, 14 turmas: quatro do Ensino Fundamental I (4º e 5º anos, que funcionavam em turno único) e 10 do Fundamental II (do 6º ao 9º ano).

Como e por que fazer um portfólio digital

Escola de Oswaldo Cruz sistematiza conteúdos e divulga ações por meio da plataforma Microsoft Sway (Imagem: Reprodução)

A prática de registrar e reunir trabalhos desenvolvidos durante o ano letivo é comum em muitas escolas, seja por meio de cadernos, impressões ou arquivos armazenados nas unidades. No entanto, considerando o contexto atual e aproveitando o conhecimento adquirido em formações oferecidas pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-Rio), a José Emygdio de Oliveira decidiu apostar na criação de um portfólio digital, usando a plataforma Microsoft Sway.

 

“O portfólio é uma espécie de blog ou revista digital da escola, alimentado periodicamente. Tem sido uma maneira de mostrar que a escola está viva, ativa e interagindo com os alunos e suas famílias. É como uma prestação de contas, não apenas à Secretaria, mas à comunidade, sobre o que estamos fazendo”, explica o coordenador, que é responsável por alimentar o portfólio e a página da escola no Facebook.

Ele conta que não conhecia a ferramenta, que costumava usar apenas recursos básicos de um computador, mas que não encontrou dificuldades. “A plataforma é fácil de manusear. Praticando, aprendi e vi que não era complexo, como eu imaginava. Enquanto você digita, o conteúdo é salvo automaticamente, minimizando eventuais perdas. O Sway pode ser editado para que as pessoas apenas visualizem ou também possam editar o material. E o melhor: acessando um link, qualquer pessoa, a qualquer momento, pode acompanhar o que a escola está produzindo”, conta Marcus, que, hoje, já faz e edita vídeos e formulários sem dificuldades.

Planejamento e estratégias de aproximação

WhatsApp é um dos recursos utilizados pela escola (Imagem: Pixabay)

Um dos pontos fundamentais para aproximar os alunos da escola, segundo Marcus Vieira, é apostar em formatos lúdicos, interativos e em conteúdos atraentes para os estudantes. “Os assuntos devem ter relevância social, utilidade e aplicabilidade no dia a dia deles. A aproximação com o professor também tem muito valor. Quando o aluno vê e/ou escuta a voz do professor, percebe que não foi abandonado, que está assistido”, comenta o coordenador, que é professor de História por formação.

Para disponibilizar o conteúdo de maneira mais organizada e sistemática, a escola segue um planejamento semanal por disciplinas: segunda-feira é dia de publicar os materiais de Língua Portuguesa; terça, História e Artes; quarta, Matemática; quinta, Ciências e Educação Física; e sexta, Geografia e Língua Inglesa. Essa dinâmica funciona, inclusive, com as turmas de 4º e 5º anos, que contamcom um professor generalista. “Isso facilita o trabalho do professor, da coordenação e, também, dos pais, que ficam cientes do dia de cada disciplina e conseguem estabelecer uma rotina”, diz Marcus.

Além das atividades do Material de Complementação Escolar e de conteúdos produzidos pela MultiRio – como a série Tempo de Estudar (com conteúdos de Língua Portuguesa para alunos do e do ano; de Matemática para 5º ao 9º ano; e de História para o e o ano) –, a unidade aposta nas indicações e, sobretudo, nas produções autorais dos professores. “Eles estão inovando e explorando diferentes ferramentas, cada vez mais”, destaca o coordenador.

“O empenho dos professores, o reconhecimento das famílias, as mensagens, as fotos e os vídeos que recebemos dos alunos, tudo isso nos motiva a prosseguir. É desafiador, é cansativo, mas vale a pena.”

Recursos utilizados pela escola

Confira como a escola vem explorando diferentes mídias, formatos e plataformas.

Grupos no Facebook – Para organizar melhor os conteúdos disponibilizados no Facebook, a escola criou, dentro de sua página, um grupo para cada turma. A gestão sugeriu que os professores interessados em publicar seus conteúdos criassem contas profissionais, caso não quisessem usar suas contas pessoais.

WhatsApp – A escola disponibilizou um número próprio e criou um canal de comunicação pelo WhatsApp para solucionar dúvidas pedagógicas e orientar os alunos, quando necessário.

Formulários – Muitos professores criam formulários para avaliar, de maneira mais ágil e prática, o próprio trabalho e o nível de aprendizagem dos alunos, por meio de exercícios de revisão, desafios e questionários.

Lives A escola divulga lives indicadas pelos professores, sobre temas variados, como leitura, Educação Especial e intolerância religiosa.

YouTube – Alguns docentes criaram canais no YouTube para divulgar aulas e outras atividades pedagógicas, como os professores Rafael Almeida, de Matemática, e Júlia Dutra, de Artes. Além disso, no canal da escola, teve início o programa Diálogos, com entrevistas sobre um tema considerado importante pela gestão e pelos professores. Nas duas edições realizadas, os temas foram empoderamento e protagonismo de mulheres negras; e racismo e epidemia. A ideia, segundo o coordenador pedagógico – que é quem conduz as entrevistas – é manter o projeto após o retorno das aulas presenciais, mas sob comando dos alunos do grêmio estudantil.

Mídias Relacionadas
MCE Reportagens
Mais da Série
Relacionados
Mais Recentes