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27 Outubro 2020
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Eloá Alves realiza videochamada com seus alunos do NAM (Foto: acervo da professora)

Os encontros dos Núcleos de Adolescentes Multiplicadores (NAM) passaram a ser virtuais desde março de 2020. Mesmo na adversidade, mantêm sua essência como espaços de diálogo, onde alunos, a partir de 13 anos (6° ao 9° ano), se reúnem com um professor orientador semanalmente para falar e ouvir sobre questões que os próprios adolescentes definem como sendo de seu interesse. Atualmente, são 21 NAMs na Rede Pública Municipal de Ensino. Toda Coordenadoria Regional de Educação (CRE) tem pelo menos um.

"O NAM procura empoderar os adolescentes como cidadãos de direitos, ou seja, com opiniões, conhecimentos e oportunidades. As opiniões são respeitadas e discutidas. É um trabalho de excelência na escola pública. O projeto tem a mesma proposta em todos os núcleos, mas cada um deles tem suas particularidades, a começar pelo professor responsável, que pode ser originalmente de qualquer disciplina. O NAM costuma reunir alunos com dificuldade e estudantes com protagonismo positivo já desenvolvido. Essa mistura possibilita trocas que aprimoram a todos", explica Denise  Palha, coordenadora geral do NAM e assessora da Gerência de Proteção ao Educando da SME.

Ana Lúcia Oliveira é professora de Ciências e coordena o NAM da E.M. Pereira Passos (1ª CRE), no Rio Comprido, com 30 alunos. Ela conta que a versão virtual está acontecendo pela plataforma Microsoft Teams e que devido às dificuldades  de conexão o grupo foi reduzido para 10 a 13 adolescentes. "Seguimos com o trabalho de valorização dos adolescentes do modo como é possível. É importante para que coloquem suas dúvidas e ansiedades. Fortalece o elo com a escola e com os colegas", diz Ana Lúcia.

Luiz Antônio e seus alunos do NAM em 2019 (Foto: acervo do professor)

Luiz Antônio Chaves é professor de História e orienta o NAM da E.M. Soares Pereira (2ª CRE), na Tijuca. Segundo o professor, "o foco do NAM é que o aluno tenha melhores relações na família, na escola e na sociedade". Ele relata que o trabalho é também muito gratificante para o professor. Aos 65 anos, Luiz Antônio está próximo de se aposentar e diz que encontrou no NAM crescimento pessoal que há muito não encontrava no magistério. "É um espaço de troca, aprendo muito com os adolescentes também. Além disso, estudo, me preparo para as conversas, busco ferramentas, me reciclo", afirma o profissional. Atualmente, o grupo se comunica via Whatsapp, que, segundo o professor, é o meio mais acessível para os adolescentes.

Girlhane Alves é professora de Língua Portuguesa e coordena o NAM da E.M. Comandante Arnaldo Varella (6ª CRE), na Pavuna. "O NAM desenvolve a autonomia, fortalece a autoestima e o protagonismo. Quando o assunto escolhido pelos adolescentes requer, estabelecemos parcerias com a clínica da família próxima. Já houve dia de recebermos para a roda de conversa uma equipe inteira - psicóloga, enfermeira, assistente social e preparador físico. Em outra reunião, tivemos especialistas para falar sobre sexualidade e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Mas, em muitas outros encontros, conversamos sobre relações abusivas, machismo, racismo e questões de gênero sem o auxílio de terceiros. Os adolescentes expõem o que acham e eu vou norteando o diálogo. Não há resposta certa. Discutimos o que é aceitável e o que não é, com seus respectivos argumentos. Algumas vezes, precisamos pesquisar para voltar a conversar com mais propriedade sobre o tema escolhido", detalha Girlhane.

O NAM possui uma linguagem aberta e bem humorada (cartaz do acervo da professora Eloá Alves)

Eloá Alves é professora de Inglês e coordena o NAM da E.M. Cora Coralina (9ª CRE), em Campo Grande. "Eu já tinha uma comunicação aberta com os alunos e levei isso para o NAM, onde tratamos das demandas do mundo adolescente – o que é divertido e também o que incomoda, aflige", conta Eloá.  Durante a pandemia, lançamos mão das plataformas virtuais possíveis. Já fizemos pelo Microsoft Teams, Whatsapp e Facebook. O Facebook tem se mostrado o mais viável para os alunos. Temos tratado muito sobre esse novo normal que estamos vivendo – sentimentos paradoxais (alegria inicial por não ter aula, mas tristeza por não encontrar os amigos), sair ou não de casa, uso de máscara etc. ”, explica a professora.

Os professores orientadores do NAM participam quinzenalmente de videoconferências promovidas pelo nível central da SME para que tenham subsídios para realizar o trabalho. Esses encontros de formação de professores contam com a participação de especialistas convidados e que aprofundam a discussão sobre um repertório temático elencado pela coordenação do projeto.

O NAM participou ativamente da programação socioemocional do Escola.Rio com 4 programas. Os alunos e professores realizaram a produção virtualmente, cada um em sua casa, sendo responsáveis pela criação coletiva de cada episódio.

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