Processo Seletivo DAF 2021 12


18 Maio 2022
 

Não são poucos os animais ameaçados de extinção, em nosso país e no mundo. O número de indivíduos de várias espécies tem se reduzido, rapidamente, em função do desmatamento, da poluição, do aquecimeto global e da caça e pesca predatórias.

Aves, anfíbios, répteis, mamíferos aquáticos (cetáceos) e terrestres e  até mesmo peixes sofrem as consequências das ações humanas sobre o planeta.

Fotografia. Cairara descendo a copa de uma árvore. O macaco tem o corpo esguio, cauda longa e pelos castanhos claros, quase dourados. Só os pelos da cabeça e do meio da testa são castanho escuro.
O amazônico macaco cairara está na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo. Foto Carlos Eduardos Stauch, Wikicommons

Biólogos, veterinários e instituições que atuam na área ambiental têm se mobilizado para proteger os animais. Aqui no Brasil, pesquisadores do Instituto Chico Mendes (ICMBio) monitoram a vida selvagem e produzem relatórios que mapeiam a fauna, alertando sobre as espécies ameaçadas de extinção.

Tais relatórios se baseiam em critérios que levam em conta múltiplos fatores, como, por exemplo, a fragmentação dos habitats, o número de indivíduos em idade adulta, o tempo de reprodução e a redução populacional das espécies.

Com base nesses e em outros dados, o ICMBio classifica os diferentes graus de risco de extinção desta forma:

  • Espécies extintas
  • Extintas na natureza
  • Extintas regionalmente
  • Criticamente em perigo
  • Em perigo
  • Vulneráveis
  • Quase ameaçada
  • Menos preocupante

Segundo o ICMBio, o Brasil tem 1.173 espécies animais ameaçadas. Conheça algumas delas:

Ararinha-azul

A Cyanopsitta spixii pertence à família Psittacidae – a mesma dos papagaios, dos periquitos, das araras e de outras aves. Até 2020, o ICMBio classificava a espécie como extinta na natureza, já que, desde o ano 2000, nunca mais uma ararinha azul havia sido avistada em seu habitat natural, a caatinga baiana. Existiam apenas cerca de 160 indivíduos vivendo em cativeiro, no Brasil e no mundo.

Esse status, contudo, pode mudar, pois a ararinha azul está sendo reintroduzida na natureza, graças a uma ONG alemã: a Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês), que enviou ao Brasil um grupo de 52 ararinhas azuis, no início da década atual.

As aves estão sob os cuidados de especialistas de duas unidades de conservação criadas no município de Curaçá, no norte da Bahia. Segundo informações do deputado estadual e ambientalista Carlos Minc, o primeiro grupo de ararinhas azuis será solto na natureza em 11 de junho de 2022.

Soldadinho-do-Araripe

O Antilophia bokermanni é um pássaro endêmico do sertão do Cariri cearense, onde se concentram 80% das fontes de água da Chapada do Araripe. Está classificado na categoria “criticamente em perigo de extinção” pelo ICMBio e pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

O soldadinho do Araripe pertence à família Pipridae (a mesma do uirapuru e do tangará) e mede cerca de 15 cm. Seu habitat (as áreas úmidas do Cariri) é sempre muito pressionado, já que a água é um eterno objeto de disputa no semiárido nordestino. Estima-se que a espécie tenha 800 indivíduos, entre os quais 177 casais adultos.

Por existir apenas no Ceará, o pássaro se tornou um ícone do estado. É símbolo da cidade de Barbalha, tem imagem estampada na porta dos táxis do Crato e virou personagem principal das aulas de educação ambiental das escolas públicas cearenses.

Pica-pau-amarelo

A ave da família Picidae dá nome ao mais famoso sítio da literatura infantil brasileira. O pica-pau amarelo tem quatro sub-espécies, entre elas a Celeus flavus subflavus, que está criticamente ameaçada de extinção, conforme a lista vermelha do ICMBio. Calcula-se que, atualmente, existam apenas cerca de 250 indivíduos vivendo nas matas ralas da Bahia e do Espírito Santo, mas outrora sua incidência ia desde Alagoas até o Rio de Janeiro.

O Brasil que fique alerta pois, no ano passado, o Serviço Federal de Pesca e Vida Selvagem dos EUA declarou oficialmente extinto o pica-pau bico de marfim, aquele que inspirou os desenhos animados da Universal Studios.

Fotografia. Pica-pau amarelo pousado no tronco de uma árvore. Seu bico é pontudo e tem o mesmo tom amarelo das penas de seu corpo. Apenas as asas têm cor diferente: são marrons.
Atualmente, vivem na natureza apenas 250 pica-paus-amarelos Celeus flavus subflavus. Foto Hector Bottai, Wikicommons

 

Jacutinga

A Aburria jacutinga já foi abundante nas matas das regiões Sul e Sudeste, especialmente nos vales dos grandes rios. Além da degradação e fragmentação das áreas que consistem seu habitat original, a jacutinga, ave da ordem dos Galináceos (a mesma da galinha doméstica, do peru, do pavão , da perdiz etc...) que pesa em média 1,5 kg, sempre teve sua carne muito apreciada e, por isso, foi alvo dileto de caçadores. Há fotografias antigas que registram vários deles ao lado de “montanhas” de jacutingas mortas.

A espécie está extinta em muitos locais de sua área de ocorrência original, como nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo e no sul da Bahia. No Rio, por exemplo, foi avistada pela última vez na natureza, em 1980, mas vários esforços estão sendo feitos para a reintrodução dessas aves na natureza, o que exige recursos, décadas de pesquisa, profissionais variados, monitoramento e muita dedicação por anos e anos a fio.

Ariranha

Pteronura brasiliensis é o maior mamífero carnívoro semi-aquático das Américas, podendo pesar 30 kg e chegar a 1,80 m de comprimento. Pertence à família Mustelidae (a mesma das lontras e doninhas) e está na lista vermelha da União Internacional para a Conservação como uma das espécies ameaçadas de extinção.

O animal sofreu drástica redução populacional em função de sua caça indiscriminada até a década de 1960, quando surgiram as primeiras leis de regulamentação do comércio de peles silvestes no país. Catálogos antigos, oriundos da cidade de Manaus, revelam que o couro aveludado da ariranha era o mais valorizado para a venda, superando inclusive o preço da pele de onça.

Em entrevista à BBC Brasil, a bióloga Natália Pimenta explicou que, no passado, as ariranhas eram encontradas desde a Venezuela até sul da Argentina. Hoje, estão restritas a poucas áreas, como o Pantanal e as cabeceiras de alguns rios amazônicos, mas começam a ser avistadas em lugares onde haviam sumido há décadas.

Boto-cor-de-rosa

O Inia geoffrensis, lendário golfinho de água doce, corre o risco de se tornar praticamente extinto nos próximos 50 anos, segundo pesquisadores do Projeto Boto que estudam a espécie há quase três décadas, graças a uma parceria do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) com o Conselho de Pesquisas do Ambiente Natural do Reino Unido (Nerc).

Em matéria publicada pelo UOL, o britânico Anthony Martin (líder do projeto na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá) disse que o declínio das populações do animal é muito mais severo do que se imaginava.

A principal causa da queda da população de botos, segundo ele, está relacionada à pesca por redes. O emaranhado de linhas pode obstruir severamente suas guelras (órgão do sistema respiratório dos animais aquáticos), levando-os à morte. A captura de botos como isca de peixe também é muito comum na Amazônia, contibuindo para o cenário crítico desse golfinho que, com o passar dos anos, vai adquirindo um tom rosado em sua pele.

Lagartixa-de-areia

O pequeno lagarto Liolaemus lutzae mede cerca de 8 cm e tem como habitat natural as dunas e as areias das praias do litoral fluminense – da Restinga de Marambaia à Cabo Frio. Seu crescimento populacional é lento, pois cada casal produz apenas quatro ovos uma vez só na vida. A espécie aproxima-se da extinção graças à ocupação urbana do litoral do estado e ao lixo que é deixado nas praias.

Segundo estudos do Departamento de Ecologia da Uerj, a remoção da vegetação da praia associada à construção de estradas, avenidas e calçadas é responsável pela degradação mais destrutiva do habitat das lagartixas de areia. Mas o depósito de lixo nas áreas onde vivem e o atropelamento por tráfego de veículos também assolam a espécie.

Fotografia. Lagartixa pousada sobre areia úmida, próxima a um filete de água. O pequeno réptil tem a mesma cor bege da areia e duas linhas de escamas levemente alaranjadas, que se estendem da cabeça ao rabo. Sua cabeça é achatada e seu olho é localizado lateralmente, tendo formato ovalado, esclera clara e íris escura.  Os dedos das patas traseiras são muito alongados.
As praias do Rio de Janeiro formam o habitat natural das lagartixas de areia. Foto André G Martins, Wikicommons

Caxiú-preto

O Chiropotes satanas é um dos dois primatas mais ameaçados da Amazônia. Seu habitat natural está localizado entre os rios Tocantins, no Pará, e Grajaú, no Maranhão, em um arco de desmatamento em que sofre pressão de caça. Segundo o ICMBio, houve uma redução de pelo menos 80% da população original de caxiús, nos últimos 30 anos.

Para sobreviver, esse primata precisa de áreas de floresta primária com alta produtividade de frutos, o que está cada vez mais difícil, fato que tem confinado a espécie em área cada vez mais restrita. Diante disso, a espécie está classificada como criticamente em perigo.

Caiarara

O Cebus kaapori vive nas mesmas áreas de ocorrência do caxiú preto e sofre os mesmos tipos de pressão. Está listado, desde 2012, entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo, sendo raro seu avistadamento na natureza. A Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, é seu único refúgio realmente protegido.

É interessante observar que o Brasil é o país com a maior diversidade de primatas do mundo. Conforme o ICMBio, só a Amazônia brasileira concentra 110 espécies das 700 existentes no planeta. Entretanto, a exemplo do caiarara e do caxiú preto, essa riqueza está em risco, em função da perda, da fragmentação e da degradação cada vez maior de seus habitats.

Onça-pintada

A Panthera onca (assim, sem cedilha) está no topo da cadeia alimentar da fauna brasileira. Segundo o ICMBio, está presente em cinco (entre os seis) biomas do país, mas encontra-se criticamente em perigo em dois deles: na Caatinga e na Mata Atlântica.

No início do século XX, a onça pintada era encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o centro-sul da Argentina e Uruguai, mas sua distribuição geográfica pelo continente vem se reduzindo drasticamente. Estudos estimama que mais de 50% de sua distribuição original foi perdida.

A espécie é atualmente considerada extinta nos Estados Unidos, no Uruguai e em toda área dos Pampas. No Brasil, a situação mais grave das onças pintadas é a da Mata Atlântica, onde ocorreu uma redução de 80% de sua população nos últimos 20 anos. Além da expansão agrícola, da perda, da fragmentação e da degradação do habitat, a caça e a retaliação às onças (por predarem os animais domésticos) continuam sendo motivos que contribuem de forma relevante para a diminuição drástica da espécie.

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