22 Maio 2013
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Voltar-se para a consolidação de uma política pública no campo do audiovisual, apresentando-se como uma possibilidade de transformação real da escola e promovendo uma mudança radical nas relações que se estabelecem na comunidade escolar – eis a missão do Cineclube nas Escolas. Quem diz é Luciana Bessa, coordenadora do projeto, desenvolvido desde 2008 na Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro pela Gerência de Mídia e Educação, em 252 instituições de ensino.

CINECLUBEDAHORA1Segundo ela, a ideia é assegurar o acesso plural de experiências culturais e artísticas que possibilitem o desenvolvimento da sensibilidade estética, do pensamento crítico e da autonomia criativa em diferentes campos de conhecimento.

– A relação entre cinema e educação na escola pode resultar numa proposta de trabalho que vai muito além do mero entretenimento ou do simples pretexto para ensinar conteúdos curriculares. Ela pode ser uma experiência que abra novos caminhos para alunos e professores na ampliação do conhecimento, a partir de uma ação estética de forte dimensão política – explica a coordenadora do projeto.

Para Luciana Bessa, mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já se podem auferir os ganhos obtidos com os alunos a partir da implementação do projeto.

– Percebo maior poder de argumentação, crítica e valorização da autoestima das crianças. Além disso, tem o protagonismo e como aprender a trabalhar coletivamente, tendo inclusive a oportunidade de contar suas próprias histórias de forma audiovisual. Para nós, educadores, isso é formar para cidadania – observa a coordenadora, acrescentando, ainda, a questão da multidisciplinaridade.

Luciana diz que, ao se produzir um filme, vários conhecimentos das mais diversas áreas do saber são postos em prática. Segundo ela, no momento da produção de narrativas audiovisuais, “professores e alunos tornam-se pesquisadores de conteúdo e linguagem, fazendo-os ir muito além do conteúdo programado”.

O projeto vem despertando a potencialidade da produção autoral audiovisual nas escolas, já que privilegia a participação de alunos e professores nos festivais como autores de suas próprias narrativas. Em 2012, dos 43 filmes nacionais e estrangeiros selecionados pelo Festival do Rio, 22 foram produzidos por escolas municipais do Rio de Janeiro.

suburbioemtranse2– Temos vários filmes produzidos em colaboração com famílias e a comunidade do entorno da escola. Acho que o maior ganho é ter alunos assumindo a autoria de suas histórias. Eles descobrem, por meio do projeto, que são capazes de criar narrativas que falam ao outro e são responsáveis pelo que produzem. É emocionante acompanhá-los ao cinema e vê-los orgulhosos quando suas produções são apresentadas na tela grande, recebendo aplausos, no final da exibição, de adultos, de especialistas e dos próprios colegas – explica.

O projeto também prevê a realização de parcerias com diversos festivais e mostras que acontecem na cidade do Rio. Para isso, investe, durante todo o ano, na ida de alunos e professores às salas de cinema.

A coordenadora destaca que a ação cineclubista realizada na escola visa a estimular a aproximação de alunos e professores aos bens culturais da cidade. Muitos alunos vão ao cinema pela primeira vez por meio da iniciativa do projeto. A ida às salas de cinema é desenvolvida em parceria com as Coordenadorias Regionais de Educação (CREs)  e os principais festivais de cinema.

Como o projeto Cineclube nas Escolas tem como proposta apresentar o uso do cinema na escola com a preocupação em formar cidadãos críticos, que conheçam e dominem a leitura de imagens, uma de suas principais premissas, de acordo com Luciana, é incentivar o aluno a ser protagonista da ação cineclubista e na produção de suas narrativas audiovisuais.

– Os alunos são responsáveis por todo o processo, da escolha do filme até a mediação do debate após a exibição, além de elaborar o material de divulgação: sinopse, ficha técnica, cartazes, panfletos, fôlderes, convites, propagandas nos meios de comunicação da escola, bem como a produção de vinheta audiovisual para exibição no início da sessão. O uso de equipamentos também fica sob a responsabilidade da garotada – explica.

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