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Patronos das Escolas Municipais
16 Abril 2014
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tiradentes2Reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, entre muitas honrarias, ganhou o status de uma das principais personalidades da História do país. É, ainda, inspiração para estudos acadêmicos, tendo sua trajetória gerado obras literárias, filmes e peças teatrais, além de ser patrono de uma escola municipal localizada no Centro (1ª CRE), a E.M. Tiradentes. O dia de sua execução, 21 de abril, transformou-se em feriado nacional; a cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, é assim chamada igualmente em sua homenagem. Até mesmo a cultura popular não poderia tê-lo esquecido, transformando seus feitos em enredo de escolas de samba.

Filho do português Domingos da Silva Xavier, proprietário rural, e da portuguesa nascida no Brasil Maria Paula da Encarnação Xavier, Joaquim José nasceu no dia 12 de novembro de 1746, em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, na então Capitania de Minas Gerais. Era o quarto dos nove filhos do casal.

Já órfão de pai e mãe, em 1754, aos onze anos, vê sua família perder todas as propriedades por dívidas. Por não ter terminado os estudos regulares, trabalhou como mascate e minerador, tornando-se, mais tarde, sócio de uma botica. Por isso, se dedicou às atividades farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, quando ganhou o apelido de Tiradentes. Também foi comerciante, militar e, principalmente, ativista político.

Em 1780, alistou-se na tropa da Capitania de Minas Gerais para, no ano seguinte, ser nomeado comandante do destacamento dos Dragões. Foi a partir desse período que começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole. Em 1787, pediu licença da cavalaria.

Por essa época, morou por um ano no Rio e Janeiro, período em que idealizou projetos, como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para a melhoria do abastecimento de água na cidade. De volta a Minas Gerais, começou a pregar, em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, inspirado nas ideias iluministas e na independência das colônias norte-americanas.

Inconfidência Mineira

Além das influências externas, fatores mundiais e religiosos também contribuíram para a articulação da conspiração em Minas. Com a constante queda na receita institucional, devido ao declínio da atividade da cana-de-açúcar, d. João V instituiu medidas que garantiram o Quinto, imposto que obrigava os residentes daquela província a pagar, semestralmente, cem arrobas de prata, destinadas à Real Fazenda.

Nessa época, os moradores de Minas Gerais já não conseguiam arcar com as cem arrobas de ouro anuais aos cofres reais. A decretação da derrama aprofundou ainda mais a rejeição à metrópole, pois definia uma cobrança forçada de 538 arrobas de ouro em impostos atrasados.

Os inconfidentes saíram às ruas dando vivas à República, com grande adesão popular, antes desse movimento se tornar uma revolução de fato. A conspiração foi delatada por Joaquim Silvério dos Reis, sendo descoberta e interrompida pelas tropas oficiais. Seus participantes foram presos, mas recaiu sobre Tiradentes a culpa total pelo movimento, já que ele inocentara os demais companheiros.

A sentença

Alguns deles foram condenados à morte e outros, ao degredo. No entanto, horas depois do julgamento, por carta de clemência de dona Maria I, as sentenças foram alteradas para degredo, à exceção da que recebeu Tiradentes, que continuou condenado à pena capital por enforcamento. Todos tinham sido sentenciados pelo crime de "lesa-majestade”.

Numa manhã de sábado, 21 de abril de 1792 (aos 45 anos), Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro da cidade, no trajeto entre a cadeia pública e o local onde fora armado o patíbulo. O governo-geral tratou de transformar aquela ação numa demonstração de força da coroa portuguesa, produzindo verdadeira encenação. O evento serviu para intimidar a população para que não houvesse novas revoltas.

Executado e esquartejado, foram “declarados infames a sua memória e os seus descendentes”. Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, tendo sido rapidamente cooptada e nunca mais localizada; o que sobrou foi distribuído ao longo do Caminho Novo: Santana de Cebolas (atual Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul), Varginha do Lourenço, Barbacena e Queluz (antiga Carijós, atual Conselheiro Lafaiete), lugares onde fizera seus discursos revolucionários. Sua casa foi arrasada e o terreno, salgado para que nada lá germinasse.

Após a Independência, Tiradentes permaneceu como uma personalidade histórica relativamente obscura, já que o Brasil continuou sendo uma monarquia. Mas a República e os positivistas resgataram e mitificaram sua figura.

No local onde foi enforcado, hoje se encontra a Praça Tiradentes. Em Ouro Preto, na antiga cadeia, hoje há o Museu da Inconfidência. Seu nome consta no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, sendo considerado herói nacional.

 
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