Processo Seletivo DAF 2021 12


Da série
Patrimônio Imaterial do Rio
07 Outubro 2014
 

Charanga Rubro Negra“Domingo, eu vou ao Maracanã. Vou torcer pro time que sou fã.” Difícil encontrar algum carioca que não saiba cantar o samba O Campeão, de Neguinho da Beija-Flor, lançado em 1980, que se transformou em um hino não oficial dos estádios por todo o Brasil. Essa e tantas outras canções vindas das arquibancadas são parte do que torna um jogo de futebol um espetáculo tão magnífico.

Todo amante do futebol concorda que a torcida é o algo a mais da partida, é o 12º jogador. Seja no Maracanã ou nos pequenos estádios da Zona Oeste ou do subúrbio da cidade, como o Moça Bonita (em Bangu) e o Conselheiro Galvão (em Madureira), sempre acompanha o time com instrumentos de percussão, charangas, bandeiras e muitas vozes.

Nos gramados e fora deles

Torcida Organizada do Botafogo-bandeiras botafoguenses interna_v2A história das torcidas acompanha a fundação dos grandes clubes da cidade e o surgimento das competições. O primeiro campeonato oficial do Brasil, o Campeonato Paulista de Futebol, foi realizado em 1902. No mesmo ano, no Rio de Janeiro, a fundação do Fluminense Football Club estimulava a criação de uma liga carioca. O time foi o responsável por começar a organizar o futebol na cidade. A partir de 1904, nasceram novos clubes, como o Botafogo e o América, e, em 1906, o primeiro Campeonato Carioca foi disputado. Em 1912, o Clube de Regatas do Flamengo, forte no remo, se expandiu para os gramados. Em 1915, o Vasco da Gama trilhou o mesmo caminho.

Em 1942, surgiu no Flamengo o primeiro embrião de torcida organizada carioca: a Charanga, fundada pelo baiano Jaime de Carvalho, também chefe da torcida do Brasil. Segundo o historiador Bernardo Buarque de Hollanda, em entrevista ao site da Revista de História da Biblioteca Nacional, foi Jaime quem incorporou o uso de instrumentos rítmicos e de sopro, que levaram a alma do carnaval para as arquibancadas. O jornalista Mário Filho, um entusiasta desse fenômeno dos estádios, criou um concurso de torcidas, as quais, além de tocar marchinhas, jogavam confete e serpentina.

Também em 1942, Lamartine Babo compôs os hinos populares do Flamengo, do Fluminense, do Botafogo, do Vasco, do Bangu, do Bonsucesso, do Madureira, do Olaria, do São Cristóvão e do América, seu time de coração. Todos são cantados até hoje. A partir de então, cada clube carioca passou a ter sua torcida e seu chefe, que era sempre uma figura carismática, como o Tarzan do Botafogo, a Dulce Rosalina do Vasco e o Paulista do Fluminense.

Pós-Maracanã

Imagens-Fluminense-Foto-Gilvan-Souza LANIMA20120410_0103_1Com a construção do Maracanã, em 1950, algumas mudanças aconteceram e, como o campo ficava muito longe da arquibancada, a ideia do canto coletivo ganhou força. Os torcedores começaram a abandonar os pratos e os instrumentos de sopro – priorizando a percussão e a bateria para ditar o ritmo das canções – e também a parodiar letras de sambas-enredo, como Pega no Ganzê, do Salgueiro, e Domingo, da União da Ilha. Bernardo Buarque conta que, nos anos 1970, houve um grande crescimento desses grupos e que, a cada jogo, uma nova organização, representando um bairro específico, aparecia nos estádios.

As torcidas organizadas cresceram significativamente na primeira metade da década de 1990, criando nos estádios a atmosfera que conhecemos hoje em dia. Responsáveis pela confecção de faixas, de bandeiras e pela composição de novas músicas, motivam os torcedores não afiliados a cantarem e a incentivarem o time durante todo o jogo.

Em agosto de 2014, o jornal Lance!, em parceria com o Ibope, divulgou um novo ranking das maiores torcidas do futebol nacional. Entre os principais times cariocas, o Flamengo lidera a lista, com 32,5 milhões de torcedores, o Vasco é o quinto colocado, com 7,2 milhões, seguido pelo Fluminense, em 11º, com 3,6 milhões, e pelo Botafogo, em 12º, com 3,4 milhões.

Em 2012, a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio do Decreto nº 35.877, declarou as torcidas Patrimônio Cultural Carioca de natureza imaterial. O decreto leva em consideração o futebol, mais do que prática atlética, como uma manifestação cultural e social. Também considera atributo estético universal as distintas manifestações artísticas e culturais que fazem referência ao futebol e às torcidas cariocas.

Patrimônio Imaterial do Rio
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