Equipe masculina disputa final em torneio estadualUm campo de grama ou material sintético; bastões, geralmente de madeira; uma bola com três centímetros de diâmetro, feita de plástico e cortiça. Em dois tempos – de 35 minutos –, jogadores mostram técnica e habilidade no hóquei sobre grama, modalidade olímpica que desde 2011 vem ganhando espaço na E. M. Rosa da Fonseca, em Deodoro. No bairro também está localizado o primeiro campo oficial de hóquei sobre a grama do país, construído em 2007 para os XV Jogos Pan-Americanos.

O projeto de implementar essa modalidade de hóquei na escola se deu por meio da iniciativa de Eduardo Guillermo Righi, ex-atleta argentino, que treinou a seleção brasileira entre 2000 e 2003. Eduardo começou a trabalhar na escola como voluntário em 2011 e, desde 2013, é monitor de esportes e lazer. Segundo Patricia Nogueira, coordenadora pedagógica, quando a escola acolheu a ideia, buscou-se avaliar se os objetivos estavam de acordo com o projeto político-pedagógico. “O intuito sempre foi o de utilizar o esporte como um elemento importante na formação das crianças; porém, com o passar do tempo, Eduardo descobriu talentos que fizeram da equipe da nossa escola uma referência do esporte na cidade.”

meninas sub15 - homeNeste ano, durante o Intercolegial –  uma competição estadual –  a equipe feminina da Rosa da Fonseca disputou o bronze e a masculina conquistou a prata. As meninas da categoria sub-15 também foram convidadas a participar de um torneio nacional que ocorre nos dias 22 e 23 de novembro em Florianópolis. “A Rosa da Fonseca transformou-se em um celeiro nacional de talentos. Aqui são formados diversos atletas e, desde que começamos esse trabalho, a escola ganha troféus todos os anos”, explica o treinador.

Os valores do esporte

Os treinos de hóquei acontecem no contraturno escolar e/ou no período entre as aulas da manhã e da tarde. A partir de 10 anos de idade, as crianças podem fazer parte do grupo de iniciação e, de acordo com o desempenho nos treinamentos, ganham uma vaga no time principal. Com o apoio constante dos professores de Educação Física, Eduardo Righi conta que a parte mais difícil é convencer os pais de que não se trata de um esporte violento. “Exibimos DVDs e usamos o data show durante as aulas para apresentar o esporte aos alunos e também aos pais. Assim, todos percebem que essa modalidade não exige tanto contato físico como o hóquei no gelo, por exemplo. É mais técnica e habilidade”.

Alunos treinam na quadra da escola - dentro1Durante as atividades, o monitor busca estimular valores importantes não apenas durante os jogos. “O compromisso e a responsabilidade de treinar, a lealdade com os colegas, o respeito pelo juiz e pelo adversário – perdendo ou ganhando – são atitudes para a vida”. Na opinião de Patrícia Nogueira, o projeto de hóquei tem sido altamente relevante para o desenvolvimento dos alunos. “Um trabalho de base como esse, realizado em uma escola pública, é de extrema importância não apenas porque forma atletas a médio prazo, mas também por estimular o comprometimento e elevar a autoestima de crianças e jovens”.