09 Dezembro 2014
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Besser mioloEm 2050, 80% da população mundial estarão vivendo no meio urbano. Algumas recomendações simples, se adotadas pelos habitantes, podem contribuir para que, na eventualidade de um desastre ambiental,uma metrópole se recupere mais rapidamente.

Economista de formação e ambientalista por opção, Sergio Besserman tem sido, nos últimos anos, um dos grandes arautos brasileiros nas questões que envolvem as mudanças climáticas. Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura, ele acredita que nenhuma cidade pode ser considerada totalmente resiliente (uma cidade resiliente é aquela em que os efeitos dos desastres naturais são minimizados por meio de sua infraestrutura, organizada sob padrões internacionais de segurança), mas, ainda assim, celebra o fato de que o Rio é apontado como a cidade que mais tem avançado, neste sentido, na América Latina. “Curiosamente, as cidades estão conseguindo fazer mais do que os países.”

De acordo com Besserman, no dia a dia, a primeira contribuição que cada um pode dar é economizar os recursos naturais, como água e energia. Para o especialista, os jovens de hoje devem buscar se informar, debater e, se possível, se engajar nas discussões da esfera pública desde já. “Pela primeira vez a humanidade se coloca diante do dilema da sustentabilidade, que é, também, uma oportunidade para nos tornarmos pessoas melhores.”

Gado e rios voadores

Apesar da distância geográfica, existem motivos consistentes, identificados por relatórios científicos do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas: rede de cientistas que, a cada sete anos, compila os resultados de toda a produção técnica quanto às mudanças climáticas, sugerindo aos governantes estratégias de mitigação), capazes de convencer mesmo um cidadão carioca a se interessar pela Floresta Amazônica. “A preservação da Amazônia é a garantia de termos água na torneira, que chega à Região Sudeste pelos chamados rios voadores, que são imensas massas de vapor d’água, levadas por correntes de ar e respondem por grande parte da precipitação de chuva".

Para Besserman, a atualidade gera uma reconfiguração na ideia de pertencimento. “No passado, o lema era pensar globalmente e agir localmente. Agora, como cidadãos do mundo, precisamos pensar localmente e agir globalmente.” A partir desta perspectiva, mesmo os menores gestos cotidianos pesam na balança. A emissão de gases que provocam o efeito estufa, por exemplo, é um fenômeno que tem relação com uma série de hábitos, inclusive alimentares, uma vez que os rebanhos são os maiores produtores mundiais do gás metano. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Brasil tem o segundo maior rebanho de bovinos (mais de 211 milhões de cabeças). Desde 2008, o país está no topo do ranking dos exportadores de carne, cujo consumo também faz parte da cultura nacional.

Educação Ambiental incorporada ao cotidiano

Professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, Sergio Besserman ingressou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 1987, onde exerceu a função de Diretor de Planejamento entre 1996 e 1999. Foi, também, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Pereira Passos (IPP). É membro do Conselho Diretor ou Consultivo de diversas organizações não governamentais, como a Fundação Roberto Marinho e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil), e militante na causa do meio ambiente desde o fim dos anos 1980.

“Minha relação com o meio ambiente era por amor à natureza.” Até que o cargo no BNDES colocou o economista diante de uma rotina na qual precisava distinguir quais projetos deveriam ser financiados. “Nestes casos, eu contava com a ajuda de um subordinado, o Sérgio Fonseca, que me despertou para o tema. Durante a Rio-92, eu era chefe de gabinete e o evento recebeu recursos do banco. Por essa época descobri o assunto específico das mudanças climáticas.”

De lá para cá, no entanto, Sergio Besserman acredita que ficou mais fácil se aproximar da natureza, inclusive graças à tecnologia. Membro do Clube de Observadores de Aves – RJ, ele conta que já existem arquivos de som para baixar e facilitar a identificação das espécies durante uma caminhada na mata. “Está tudo aí, disponível, para quem quiser conhecer!”

O programa Conceito & Ação sobre mudanças climáticas, com a entrevista completa de Sergio Besserman, vai ao ar nesta quinta-feira (11), às 13h, no canal 26 da NET.

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