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Novos rumos da Educação Física
11 Maio 2015 | Por Larissa Altoé
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Jimmy alunos e berimbaus legendaJá se foi o tempo em que a disciplina se baseava na aptidão física. Atualmente, o modelo privilegia o caráter cultural/corporal. Luiz Otávio Neves Mattos, professor de Educação Física da UFF, explica que cada vez mais os professores se distanciam da concepção biologista e defendem a incorporação das práticas lúdicas de movimento construídas pela humanidade ao longo do tempo.

Desta forma, deixa-se cada vez mais um paradigma excludente, que privilegiava, de antemão, os dotados de bom condicionamento físico, cardiorrespiratório e cardiovascular, em prol de um método que inclui a todos e explora nossa memória coletiva.

No modelo antigo, vigente até a década de 1980, geralmente se dividia a turma entre meninos e meninas; hoje essa divisão sexista não tem mais sentido, pois o que se busca não é a otimização do desempenho, mas a socialização do ser humano, esclarece Cristina Brum, da Gerência de Educação Física e Esportes, da SME. Se antes, o conteúdo era baseado quase tão somente em esportes como o vôlei, o handebol, o futebol e o basquete, agora os professores incluem práticas diversas como jogos folclóricos, lutas, dança, circo, entre outras possibilidades de movimento.

Marcia Dias, da Coordenação da Equipe de Educação Física da SME, conta que atualmente os profissionais saem da universidade familiarizados com essas novas orientações para ministrar a disciplina. A oportunidade de capacitação dos demais educadores da Rede acontece durante as semanas de formação, promovidas no início de cada ano. Em 2015, foram realizadas oito oficinas, que divulgaram práticas criativas exitosas de professores de Educação Física do município.

A seguir, destacamos quatro desses trabalhos:

Literatura também é movimento
histórinhas

No Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Morro dos Telégrafos, na Mangueira (1ª CRE), a professora Renata Pini desenvolve dois trabalhos diferentes nas aulas de Educação Física pré-escolar: histórias infantis clássicas, e jogos e brincadeiras folclóricas.

No primeiro, durante a roda de conversa, Renata conta histórias como João e o Pé de Feijão, Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos. Em seguida, leva os alunos a identificar os movimentos presentes nas narrativas, a construir coletivamente atividades com esses movimentos e a executá-los.

Os Três Porquinhos, por exemplo, trouxe os assuntos corrida, respiração, fôlego, volta à calma e cuidado com os animais; Chapeuzinho Vermelho sugeriu caminhada, corrida e alimentação saudável; João e o Pé de Feijão foi o mote para a turma lidar com a escalada/subida, caminhada na floresta e a questão ambiental.

Jogos e Brincadeiras Folclóricas

A segunda atividade começa com um questionamento junto aos alunos e responsáveis para saber quais jogos e brincadeiras eram praticados por eles na comunidade. A partir daí, a classe pesquisa sobre essas brincadeiras para resgatar um pouco de sua origem. Em agosto, mês do folclore, as crianças praticam amarelinha, cabra-cega, galinha choca, cabo de guerra, bolinha de gude, soltam pipa e brincam de variados tipos de pique.

Orientação Pedestre

orientação pedestre legendaMarion da Silva, professora de Educação Física da EM Especial Ação Cristã Vicente Moretti, em Bangu, afirma que a corrida ou a caminhada orientada é um desafio interessante para os alunos porque exige deles competências relacionadas à leitura de mapas, ao conhecimento de escalas, à utilização de bússola, além de melhorar a capacidade de orientação espacial.

Para a confecção dos mapas são utilizados conceitos de múltiplas áreas do saber, como o sistema métrico e o aprendizado da Língua Portuguesa. Outras habilidades desenvolvidas são a resolução de problemas, a seleção de informações pertinentes e a utilização dos conhecimentos disponíveis para o enfrentamento de situações novas.
O praticante deve percorrer vários tipos de terreno, como campos, matas, trilhas, rios, sendo vencedor quem completar o percurso no menor tempo. A corrida pode acontecer também em áreas urbanas, desde que se tenha apetrechos como mapa, croqui e esboço da área.

Em 2014, o Parque Madureira sediou o 1º Campeonato de Orientação das Escolas do Município do Rio de Janeiro, que reuniu a E.M. Baronesa de Saavedra (Realengo) e E.M. Rosa da Fonseca (Vila Militar), ambas da 8ª CRE, e o Ginásio Carioca Embaixador Araújo Castro (Campo Grande), 9ª CRE. O evento foi coordenado pelos professores Neir Braga da Silva e Marion Costa da Silva.

Capoeira

O professor Ronaldo Lacerda, do CIEP Lauro de Oliveira Lima, em Rio das Pedras (7ª CRE), realiza um trabalho de capoeira com as crianças. Ele também é conhecido como Mestre Jimmy, por sua graduação na luta afro-brasileira.

As aulas de Educação Física começam com o maculelê – dança-luta que usa um bastão de madeira em cada mão. Ao som do atabaque, os alunos exercitam a coordenação motora e aprendem música e ritmo.Já se foi o tempo em que a disciplina se baseava na aptidão física. Atualmente, o modelo privilegia o caráter cultural/corporal.berimbau legenda

Depois vem a capoeira propriamente dita. Mestre Jimmy ensina a meninos e meninas os primeiros passos, acompanhado do berimbau – a ginga. A seguir, é a vez dos golpes: meia-lua de frente, queixada, entre outros.

A turma se divide em duplas e jogam uns com os outros, aprendendo a atacar e a se defender, esquivando-se do golpe do colega. O professor para de tocar e pede que os pares troquem, sendo prontamente atendido por todos. Durante a troca, o que se houve é o alarido alegre da diversão.

Os alunos treinam também com outros materiais. Colchonetes, bola e cones de trânsito servem de base ou oposição para praticar os movimentos: Aú (deslocamento feito usando as mãos no chão e o resto do corpo para cima); macaco (joga-se o corpo para trás, utilizando os membros superiores como anteparo); ginga (movimento básico); cocorinha (agachamento); e meia-lua de frente (passa-se a perna sobre o oponente).

Por fim, as crianças se reúnem em roda e jogam capoeira. Mestre Jimmy ensina, ainda, os alunos a confeccionar e a armar berimbaus.

Xadrez

A professora Fátima Bispo é pioneira no uso do xadrez como ferramenta de apoio à aprendizagem. Em 2011, a partir de uma capacitação que ofereceu a outros colegas, surgiu o projeto Heróis do Tabuleiro, que levou o método a 17 escolas da 7ª CRE, envolvendo 22 professores, 5.374 alunos, com carga horária de 50 minutos semanais.

Segundo Fátima, com o xadrez é possível desenvolver as funções cognitivas e executivas, a memória, a percepção, a atenção e a imaginação.

A 7ª CRE não só acolheu o projeto, como investiu em material para todas as escolas participantes: 15 kits escolares contendo tabuleiro, peças e um tabuleiro mural, além da viabilização funcional dos professores para o projeto.

xadrezJá se foi o tempo em que a disciplina se baseava na aptidão física. Atualmente, o modelo privilegia o caráter cultural/corporal. As turmas têm uma aula por semana dentro do seu turno, sem comprometer o tempo destinado à Educação Física em sentido estrito. Nas escolas que atendem o segundo segmento, o projeto funciona no contra turno.

Os alunos e/ou turmas com dificuldades e/ou transtorno de aprendizagem são o foco do trabalho, mas a turma toda participa da atividade, que possibilita, também, a identificação de talentos.

É garantido aos professores duas horas semanais de formação técnica e geral, realizada com todos os envolvidos no projeto. Os profissionais possuem como titulação mínima a licenciatura em Educação Física.

Atividades com tabuleiros gigantes

Neste projeto, o xadrez tem tudo a ver com movimento corporal porque há atividades nas quais os participantes são as próprias peças que se movem sobre um tabuleiro gigante.

Um exemplo é o ‘Jogo de Linhas’ para desenvolver a noção espacial (direção, sentido e lateralidade). Cada jogador inicia em uma das primeiras casas de um lado do tabuleiro. Há dois dados: um dá a direção e outro o número de casas a percorrer. Vence quem primeiro chegar ao outro lado do tabuleiro, que pode ser desenhado no chão ou confeccionado em tecido.

Outro exemplo é a atividade ‘Senhor Rei, Posso Ir?’, cujo objetivo é desenvolver a noção espacial e fixar a movimentação de cada peça do xadrez. Os jogadores devem iniciar o jogo em uma das primeiras casas de um lado do tabuleiro. O mediador da atividade fica do lado oposto. Todos os participantes perguntam: “– Senhor Rei, posso ir?”, O Rei responde: “–Pode!”, Todos: “– Quantos passos?”. E o Rei dá a ordem, dizendo como determinada peça deve se locomover no tabuleiro.

A terceira atividade desenvolvida é o ‘Xadrez Humano – Batalha dos Peões’, na qual os objetivos são desenvolver a noção espacial, fixar a movimentação e o modo de captura das peças do xadrez.

Cada uma delas é representada por um aluno caracterizado. Quem as movimenta são duas equipes ou dois jogadores que não estejam no tabuleiro. Pode-se fazer a partida completa, ou qualquer uma das variações educativas propostas anteriormente.

 
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