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Para desenvolver as competências e habilidades emocionais nas escolas
SÉRIE
I Semana de Educação Socioemocional (I Sesem)
31 Agosto 2018 | Por Márcia Pimentel
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A psicóloga Miriam Rodrigues
A psicóloga Miriam Rodrigues (Foto: Márcia Pimentel)

Há alguns anos, neurocientistas, psicólogos e outros pesquisadores têm constatado que as competências e habilidades emocionais são fatores que interferem na aprendizagem, no desempenho, nos relacionamentos e na felicidade dos indivíduos. Segundo a psicóloga Miriam Rodrigues, fundadora do Programa de Educação Emocional Positiva, tais competências e habilidades podem ser ensinadas (e aprendidas), a fim de promover melhorias na educação, nos comportamentos e na qualidade de vida subjetiva. 

“Precisamos educar nossas emoções”, defendeu em sua palestra realizada em 28 de agosto, durante a Semana de Educação Socioemocional (Sesem) realizada pela Escola de Formação Paulo Freire (EPF). Falando para um público formado principalmente por gestores escolares, presentes no auditório da EPF e nas 14 telessalas da Rede Municipal, Miriam explicou que, embora as emoções façam parte da psique – “vêm de fábrica”, brinca –, é preciso aprender a dosá-las.

Do ponto de vista da terapia cognitiva, muitas perturbações emocionais são causadas pelo próprio modo de a pessoa pensar. Alguns desses modos levam a pensamentos distorcidos, que, por sua vez, interferem negativamente na calibragem das emoções. O medo, por exemplo, é importante para indicar situações de perigo, como atravessar uma rua. Não se pode ignorá-lo. Mas também não se pode permitir que ele paralise ou crie pânico.

Cultivando as emoções positivas

Para educar as emoções, Miriam Rodrigues diz que é necessário incluir exercícios de relaxamento na rotina. “É fundamental aprender a parar, aquietar o corpo e a mente, olhar para si mesmo. A melhor forma de fazer isso é por meio de exercícios respiratórios”, diz. O mais eficiente método de respiração, segundo ela, é o diafragmático, mas como não é fácil de aprender e de ensinar, a alternativa é o de respiração em quatro tempos: aspira-se por quatro segundos, segura o ar também por quatro e o solta por outros quatro.

Ainda de acordo com Miriam, a percepção do próprio estado emocional é outro fator importantíssimo. É preciso saber reconhecê-lo, nomeá-lo, verbalizá-lo e ser capaz de adotar um comportamento construtivo a partir da emoção detectada. “Parece fácil, mas não é. Na verdade, é muito difícil saber o que estamos sentindo. Daí a importância de se praticar essa habilidade. Lidar com as emoções é um aprendizado”, afirma.

Mas não basta conhecer o próprio estado emocional. Para a Psicologia Positiva, uma pessoa bem-educada emocionalmente também sabe reconhecer a emoção do outro. Daí a importância de treinar a escuta por meio de rodas de conversa. E não só para aprender a ouvir quem está à volta, mas também para praticar a assertividade, saber defender seus direitos sem desrespeitar os das demais pessoas.

A psicóloga explica que o bem-estar subjetivo também precisa ser cultivado por meio do estímulo das forças pessoais e das virtudes. “A felicidade mora no cérebro. As emoções positivas – como a gratidão, a serenidade, a calma, a admiração, a esperança, o interesse... – são amigas dela”, diz, explicando que o otimismo também é fundamental: “Não aquele que nega a realidade, mas aquele que não joga a toalha”.

Estresse prolongado 

Monitores mostram professores da rede nas telessalas
Professores da Rede acompanharam a palestra pelas novas telessalas instaladas nas CREs e no Nível Central (Foto: Márcia Pimentel).

Para Miriam Rodrigues, a Educação Positiva torna-se um instrumento cada vez mais fundamental em um mundo que contabiliza cinco doenças relacionadas à saúde mental entre as dez maiores causas de afastamento do trabalho. As estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) projetam, inclusive, que em 2020 a depressão será a moléstia de maior incidência no universo corporativo.

O estresse emocional tem sido a maior causa das doenças mentais no mundo contemporâneo. E, certamente, atinge números expressivos entre alunos da Rede Municipal que vivem em situação precária e em comunidades onde a violência faz parte do dia a dia. Pesquisas recentes indicam que a adversidade desses ambientes hostis gera níveis de estresse insalubres e contínuos em crianças – em níveis muito maiores do que se compreendia até pouco tempo –, podendo comprometer a aprendizagem e minar a formação física e mental.

É que, quando colocado sob situação de estresse, o cérebro envia informações para os sistemas imunológico e endócrino, que liberam substâncias como a adrenalina e o cortisol. Quando isso é vivido rotineiramente, sobrecarrega o desenvolvimento infantil, com consequências duradouras para a criança. As neuroconexões relacionadas à aprendizagem e ao raciocínio, por exemplo, diminuem em quantidade e se enfraquecem.

Miriam Rodrigues recomenda que, nas escolas localizadas em áreas conflagradas, exercícios de Educação Emocional sejam feitos ao menos três vezes por semana. O manejo do estresse (as técnicas de respiração), contudo, deve ser realizado diariamente, de preferência mais de uma vez por dia, pois, liberado de forma contínua, o cortisol é muito tóxico. “Um veneno”, alerta a psicóloga.

 
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