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Euclides da Cunha: genialidade nas letras e traumas pessoais
05 Janeiro 2010 | Por Carolina Bessa
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Euclides da CunhaUma vida marcada por tragédias pessoais, problemas de saúde e reviravoltas profissionais. Assim foi a trajetória de Euclides da Cunha, um dos mais célebres escritores brasileiros. Conhecido internacionalmente por sua obra-prima, Os Sertões, além de escritor e jornalista, ele também foi militar, professor, sociólogo e engenheiro.

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu no dia 20 de janeiro de 1866, na Fazenda Saudade, no município de Cantagalo, Rio de Janeiro. Aos 3 anos, sofre o primeiro grande trauma com a morte de sua mãe. Com isso, ele a irmã Adélia tiveram que deixar a casa onde moravam e foram viver em Teresópolis com os tios maternos, Rosinda e Urbano. Pouco tempo depois, a tia faleceu e os dois mudaram para a casa de outros parentes em São Fidélis, no Norte Fluminense. Em 1877, o menino vai para Salvador (BA) morar com a avó paterna e se matricula no Colégio Bahia.

Engenheiro e jornalista

Dois anos mais tarde, já com 13 anos, Euclides volta ao Rio. Começa a estudar Engenharia em 1885, primeiro na Escola Politécnica e depois na Escola Militar de Engenharia. Entretanto, é desligado do Exército por conta de um protesto de alunos durante uma visita do Ministro da Guerra Tomas Coelho, do último gabinete conservador da monarquia.

Fora da escola de Engenharia, passa a dedicar-se ao jornalismo. É convidado para escrever no jornal A Província de São Paulo, hoje O Estado de S.Paulo, periódico engajado na campanha republicana. O retorno à Escola Militar se dá pelas mãos do futuro sogro, o major Solon Ribeiro, e de colegas da escola, que pedem sua reintegração.

Aos 24 anos, casa-se com Ana Emília Ribeiro, com quem tem uma conturbada vida matrimonial, marcada por traições e mortes prematuras de filhos legítimos e ilegítimos. Já no primeiro ano de casamento, o casal perde a recém-nascida Eudóxia. Mas a alegria retorna à casa com a chegada do filho Solon Ribeiro da Cunha.

Formado em Engenharia pela Escola Superior de Guerra, é promovido a tenente. Faz estágio na Estrada de Ferro Central do Brasil e dá aulas na Escola Militar do Rio. Enquanto isso, segue colaborando com O Estado de S.Paulo, mas acaba interrompendo o trabalho como jornalista, devido a uma forte pneumonia. Volta a atuar como engenheiro na mesma estrada de ferro onde fora estagiário.

Canudos e sua grande obra

Um novo problema de saúde acomete o futuro escritor: a tuberculose o afasta do serviço militar e ele se desliga definitivamente do Exército em 1896, sendo reformado no posto de tenente. No ano seguinte, começa a trajetória genial de Euclides da Cunha no mundo das letras. Pelo jornal O Estado de S.Paulo acompanha a 4ª Expedição contra Canudos e torna-se sócio-correspondente do Instituto Histórico-Geográfico de São Paulo. No dia 19 de setembro daquele ano, escreve sua primeira reportagem da frente de batalha sobre Canudos.

Além de acompanhar a revolta, Euclides torna-se um minucioso pesquisador da região. Estuda sobre o místico rebelde e líder da comunidade de Canudos, Antônio Conselheiro, mas também a respeito de plantas e minerais. Ao seu olhar apurado não escapam expressões populares e regionais, mudanças climáticas, ilustrações da cidade, cópia dos diários dos combatentes, tudo isso devidamente registrado.

CaricaturaeuclidesNovamente, a saúde o trai e, com acessos de febre, acaba se retirando da região. No seu último artigo, escreve, com grande decepção, sobre a enorme quantidade de feridos na revolta, que se amontoam no chão. Após quatro meses de licença para cuidar da saúde, Euclides da Cunha começa a escrever sua obra-prima, Os Sertões. Em 1902, com 1,2 mil exemplares, o livro é publicado pela editora Laemmert, do Rio. Ousado, o autor assume o compromisso de pagar metade dos custos da impressão, mas felizmente a primeira edição esgota-se em pouco mais de dois meses.

Por conta do seu prestígio como escritor, Euclides elege-se para a cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras, antes ocupada por Valentim Magalhães e cujo patrono é Castro Alves. A cerimônia de posse foi em 18 de dezembro de 1907, com a presença do presidente Afonso Pena.

Além da passagem por Canudos, Euclides da Cunha vive uma nova aventura marcante. Ele realiza uma viagem pelo Rio Purus, na Amazônia, chefiando missão oficial do Ministério das Relações Exteriores. Percorre cerca de 6,4 mil quilômetros de navegação, com alguns trechos a pé. De volta, redige, com o comissário peruano, o relatório da expedição. A experiência, posteriormente, transforma-se na obra À Margem da História, publicada apenas após a sua morte pela Livraria Chardron, de Portugal.

Traição e morte

Como resultado da viagem, contrai malária e retorna para a casa novamente com a saúde debilitada. A partir daí, sua vida vira de ponta-cabeça. O célebre escritor encontra a esposa grávida do cadete Dilermando de Assis. Ana dá à luz Mauro, que falece uma semana após o nascimento. No ano seguinte, nasce Luís, registrado como filho de Euclides.

Em 1909 torna-se professor do Colégio Nacional, hoje Colégio Pedro II, mas leciona pouco menos de um mês. Perturbado com a traição da esposa e a dúvida sobre a paternidade do filho mais novo, na manhã de 15 de agosto daquele ano, Euclides vai armado ao subúrbio carioca de Piedade, onde morava o cadete, e troca tiros com ele. Entretanto, o escritor acaba sendo assassinado nesse episódio, que ficou conhecido como Tragédia de Piedade. Um ano depois, seu filho Euclides da Cunha Filho, o Quidinho, tentar vingar a morte do pai, mas é morto também pelas mãos do amante da mãe. Nos dois casos, Dilermando é absolvido por legítima defesa.

 

 
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