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Medo infantil: um desafio para pais e educadores
24 Novembro 2015 | Por Fernanda Fernandes
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Hugo dentroGeralmente tido como um sentimento vilão, por nos confrontar com algum tipo de perigo ou ameaça, o medo é importante no desenvolvimento de crianças e até mesmo na vida adulta. Cabe a ele, por exemplo, a função de sinalizar um perigo externo, palpável, possibilitando, com isso, a defesa. “Como pensar uma criança, ou mesmo um adulto, sem qualquer tipo de medo? Já pensou a catástrofe que poderia ser atravessar uma rua ou se lançar, por exemplo, em mar bravio?”, questiona a psicanalista Astrea da Gama e Silva.

De acordo com ela, o medo sempre desempenhou um papel significativo na história da civilização ocidental, exigindo que os homens traçassem estratégias. “Uma forma clássica, por exemplo, é delimitar territórios em relação a um marco. Com essa fronteira, estabelece-se um ‘fora’ e um ‘dentro’. Fora, naturalmente, se encontra o inimigo, com seus perigos e ameaças; dentro, se configura o medo, primeiro passo para a organização da defesa.” Esse modelo, segundo a especialista, ajuda a pensar o medo e a angústia na vida das crianças.

Segundo a psicanalista Astrea, os episódios de medo são, em geral, mais frequentes em crianças na faixa de 3 a 6 anos de idade. “É um período no qual elas começam a conquistar espaços de maior independência – como, por exemplo, a entrada na escola e os novos amigos –, correndo os riscos implicados em realizar esses novos passos.”

Diante dos medos dos filhos

Muitas vezes, pais e responsáveis não sabem de que maneira agir diante das manifestações de medo da criança, seja do escuro, de um “monstro”, de dormir sozinho, entre outros. Mas uma coisa é certa: não se deve deixar de lado ou ironizar esses comportamentos.

“O medo não deve ser ignorado, pois ele é real. Quando os pais ironizam a situação, a criança se sente desvalorizada. Eles devem conversar sobre o assunto para dar segurança à criança e estimular situações para o enfrentamento desse medo”, aconselha Verônica Ribeiro, psicóloga infantil. “Sugerir alternativas como dormir com uma luz acesa, ficar com um dos pais até pegar no sono, caçar o monstro com auxílio de uma lanterna ou brincar com um teatro de sombras são alguns exemplos do que pode ser feito. Passar segurança ao filho é fundamental.”

A psicóloga ressalta, ainda, que não se deve usar o medo infantil como forma de punição ou barganha. “Os medos não são reais aos olhos dos pais, mas são verdadeiros para a criança. Atitudes como falar que se a criança não se comportar, vai ficar sozinha no quarto, ou que a bruxa vai pegar só reforçam esse medo.”

Segundo a psicóloga, os pais devem buscar ajuda terapêutica a partir do momento em que o medo atrapalhar a vida social da criança, impedindo que ela se desenvolva na vida escolar e nas suas brincadeiras.

O medo do primeiro dia de aula: a importância dos pais e da escola

A entrada na escola é um marco na vida de qualquer criança. Mas sair da proteção de casa para um espaço desconhecido não é tarefa fácil. O primeiro dia de aula é cercado de fantasias, o que pode causar certa ansiedade. “É fundamental que os pais conversem sobre a rotina da escola e sobre o que deve acontecer. É preciso passar tranquilidade para que a criança perceba que aquela novidade pode ser uma surpresa agradável. Já a escola deve acolhê-la com muito carinho, de modo que se sinta confortável e segura naquele ambiente”, aconselha a psicóloga infantil Verônica Ribeiro, ressaltando que, quando a criança tem problemas de adaptação, é necessário que o responsável passe um tempo na escola, até que possa deixá-la sozinha.

Segundo Astrea da Gama e Silva, ao saber das dificuldades para enfrentar essa espécie de separação, os pais procuram abrir caminho para a vida nova com alguns estímulos. “Seja por meio de palavras, enfatizando o ‘crescimento da criança’, seja pela oferta de alguns objetos, como, por exemplo, a mochila com seus pertences (lápis, cadernos, etc.). A mochila, aliás, se torna, frequentemente, motivo de orgulho, podendo simbolizar a autonomia nessa nova etapa de vida.”

junior medicaA psicanalista aconselha que, nesse início da vida escolar, os pais evitem viagens ou atrasos na saída da escola, a fim de não reassegurar para o filho a fantasia de ter sido preterido.

Sobre o papel da escola, ela destaca que a instituição representa o mundo para a criança e propicia o início da inserção social. “É um espaço com direitos e deveres estabelecidos, tanto da parte dos professores como da parte dos alunos. Não se trata mais de lugares assegurados previamente, mas de espaços e relações a serem conquistados. Para isso, vai ser preciso aprender a ceder, a trocar, a compartilhar, a pedir ajuda, a brigar, para ir construindo o seu lugar no mundo. Trata-se não somente de um sujeito às voltas com seus limites, mas também de um futuro cidadão construindo o seu lugar possível na sociedade dos adultos.”

Série de animação aborda medos infantis

Com muita leveza e bom humor, a série Que Medo!, produzida pela MultiRio, aborda diferentes faces do medo infantil, a fim de contribuir para seu entendimento e desmistificação. Os episódios tratam dos medos de ir ao médico (As pintas do Júnior); de monstro (Hugo, o monstro); de ir à escola (Voa, João); e do escuro (Aquitã, o indiozinho). Confira toda a série!

 

 
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