28 Abril 2021
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O projeto de compostagem participou também do encontro de hortas escolares em 2019 no Campo de Santana (acervo do professor Rodrigo Costa)

Rodrigo da Silva Costa, professor de Educação Física da E.M. Oswaldo Teixeira (5ª CRE), no bairro de Quintino, e seus alunos conquistaram a etapa regional (região sudeste) da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz, na categoria Projeto de Ciências, com o trabalho Compostando: do lixo ao luxo.

O professor contou que gosta de trabalhar com projetos porque são atraentes para os alunos e por meio deles é possível trabalhar diversos conteúdos, além de promover a melhoria do aprendizado. No caso da composteira, tudo começou em 2018, com Rodrigo ensinando sobre atividade física e alimentação saudável. Na conversa com os estudantes, descobriu que eles estavam se alimentando mal e orientou que consumissem mais legumes e verduras. Os estudantes disseram que não conheciam diversas hortaliças, como rúcula e acelga.

Rodrigo resolveu fazer uma horta com eles. Havia um canteiro disponível na escola, mas sem terra apropriada para o plantio. Precisavam de terra fértil. Começaram uma composteira. O professor ensinou a produzir adubo a partir do lixo orgânico da merenda escolar. Restos de frutas, legumes etc., passaram a alimentar a composteira. Por cima do material orgânico era necessário colocar o dobro de folhas secas e serragem para que o material em decomposição não atraísse ratos, baratas, moscas e não tivesse mau cheiro.

A escola ficou mais limpa, pois todos sabiam que o lugar dos restos de alimentos orgânicos não era o chão, o melhor destino era a composteira para "virar terra", como diziam as crianças. Entre 2018 e 2019, desenvolveram sete canteiros de hortas, verdadeiros laboratórios vivos, com os quais os estudantes puderam aprender sobre fotossíntese e crescimento dos seres vivos, por exemplo, com a professora de Ciências.

Alunos colheram hortaliças que plantaram em 2019 na E.M. Oswaldo Teixeira (acervo do professor Rodrigo Costa)

"Minha esperança é que os estudantes aprendam um pouco sobre soberania alimentar, cultivando em suas casas tempero – se tiverem pouco espaço – e outros vegetais como tomate e alface – se dispuserem de mais área. De todo modo, eles aprendem, ao cuidar da horta/composteira, que nem tudo pode ser na velocidade da geração fast food - apertou, está disponível. A natureza não é assim. Aprendem a esperar, a ser menos ansiosos", disse o professor Rodrigo.

Mesmo durante a pandemia, Rodrigo se esforça para dar aula a distância. "Tentamos pelas redes sociais, mas não estava dando certo. Muitas famílias são numerosas e possuem um único celular. A escola optou então por imprimir o conteúdo. Os alunos pegam o material quinzenalmente, fazem os exercícios propostos e retornam para que corrijamos, levando um novo conjunto de tarefas, de todos os componentes curriculares. Desse jeito, tenho alcançado 90% dos estudantes", contou Rodrigo. A diretora da escola, Bruna Serpa, disse que a adesão se repete em todas as outras componentes curriculares.

Rodrigo explicou que aproveita para explorar conteúdos como racismo no esporte, participação feminina, regras esportivas, além de saúde e alimentação. Ele dá continuidade até mesmo ao projeto de xadrez que desenvolve na escola. Cerca de 20 alunos participam da equipe que aprende e joga na plataforma gratuita lichass.org.

Essa é a 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz. Devido à pandemia os trabalhos inscritos foram feitos em 2019 ou 2020. Trata-se de um projeto educativo promovido pela Fundação Oswaldo Cruz para estimular o desenvolvimento de atividades interdisciplinares nas escolas públicas e privadas de todo o país.

A Olimpíada é voltada aos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas do Brasil, e busca fortalecer nos estudantes o desejo de aprender, conhecer, pesquisar e investigar. Há três modalidades possíveis para inscrição de trabalhos desenvolvidos pelos alunos: produção de texto, projeto de Ciências e produção audiovisual. Quem inscreve o projeto é o professor que o orienta. A 11ª Obsma será lançada em 5 de junho.

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