13 Dezembro 2018
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Memorial dos Presos Políticos da Ditadura, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (Foto: Divulgação Secretaria Municipal de Meio Ambiente)

Visitas ou pesquisas sobre os chamados “lugares de memória”, destacados pela museóloga Aline Maller, no livro Ditadura Militar e Democracia no Brasil: História, Imagem e Testemunho, são uma alternativa para a abordagem do tema nas escolas.

A expressão, criada pelo historiador francês Pierre Nora, remete a “lugares materiais, funcionais e simbólicos onde a memória coletiva se ancora e se expressa”. Esses lugares, de acordo com Aline Maller, possuem, ainda, um valor como documentos e monumentos reveladores dos conflitos e disputas que envolvem o constante processo de construção da memória.

Segundo a museóloga, o fato de os acontecimentos do período da ditadura estarem “vivos e próximos, mas não suficientemente claros”, faz com que a identificação de “lugares de memória” relacionados a esse período seja fundamental como fonte de conhecimento, estudo e ensino.

Através dos lugares de memória é possível a comunicação entre as gerações atuais e a geração que lutou pela redemocratização do país e pelo respeito aos direitos humanos. A educação é o único meio para que as novas gerações compreendam e valorizem a democracia e se tornem cidadãos conscientes; é o principal caminho para que aprendam com as dificuldades do passado e para que elas nunca mais aconteçam”, reforça Aline Maller no livro.

Grafite contra o fechamento do restaurante estudantil Calabouço (Fonte: Arquivo Nacional, Correio da Manhã, PH FOT 00229 453).

Na cidade do Rio de Janeiro, o livro destaca como lugares de memória relacionados à ditadura civil-militar brasileira: o cemitério de Ricardo de Albuquerque (Estrada Marechal Alencastro, 1743), a antiga sede do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna – DOI-Codi (Rua Barão de Mesquita, Tijuca), o monumento ao estudante Edson Luís de Lima Souto (Praça Ana Amélia Carneiro de Mendonça, Centro) e o memorial em homenagem ao estudante Stuart Angel, na sede náutica do Clube de Regatas do Flamengo (Av. Borges de Medeiros, 997, Lagoa).

Mas a lista de lugares é bem mais ampla. Uma ação de mapeamento de lugares de memória da ditadura no estado do Rio de Janeiro desenvolvida pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), organização que atua em defesa dos direitos humanos e da institucionalidade democrática, e sua rede de colaboradores, gerou uma lista que reúne esses e outros espaços, com informações sobre cada um – algumas, inclusive, em arquivos disponíveis para download.

Os locais mapeados estão alocados em oito filtros: aparelhos, atentados, conflitos por terra, escrachos, espaços de homenagem, manifestações, mortos e desaparecidos e prisão e tortura.  O resultado pode ser visto no site Cartografias da Ditadura, plataforma virtual aberta a contribuições de pesquisadores, ativistas, ex-presos políticos, bem como de qualquer pessoa que tenha informações pertinentes.

Entre os locais relacionados estão, por exemplo, o Restaurante Central dos Estudantes (Calabouço), a Invernada de Olaria, além de endereços de cativeiros e também ruas, praças e escolas com nomes de personalidades que remetem aos tempos da ditadura civil-militar no Brasil.

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