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02 Abril 2020
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Alunos especiais precisam continuar desenvolvendo habilidades durante o período de suspensão das aulas. Foto: EBC, creative commons

Como proceder com os alunos da Educação Especial durante o período em que estão em casa por causa do coronavírus? Segundo a psicóloga Tamires Marinho Pessoa, mestre em Saúde Mental e especialista em Comportamento e Neuropsicologia, é fundamental estabelecer, o quanto antes, uma nova rotina que inclua atividades educativas, durante o período de suspensão das aulas. "A rotina cumpre um papel muito importante na estruturação das crianças e, ainda mais, entre aquelas que são especiais. O hábito de realizar atividades em horários certos, seja almoçar, estudar, brincar ou dormir, ajuda a flexibilizá-las e a acessá-las. Sem isso, aresistência em cumprir tarefas se torna cada vez maior. Caso tenham diagnósticos que envolvam qualquer atraso de desenvolvimento, os responsáveis precisam ter um compromisso ainda maior com a criação de uma nova rotina, que inclua os estudos", explica.

A professora Rosilane Rezende, que trabalha com a Classe Especial de Transtorno do Espectro Autista (TEA), no Ciep Zumbi dos Palmares (6ª CRE), em Coelho Neto, acredita que é muito importante que todas as crianças, sem exceção, façam as atividades que estão sendo propostas por suas escolas, sejam elas públicas ou privadas. "No caso dos autistas, minha dica para os responsáveis é que, além disso, façam um quadro do que vão fazer durante o dia e a semana. Qual é a rotina a ser cumprida a partir do momento em que se acorda? Um exemplo: Lavar as mãos, escovar os dentes, tomar café, ver um vídeo, fazer as atividades propostas pela escola, almoçar, dar uma caminhada no quintal (se tiver um)... Isso é muito importante para se sentirem confiantes, assim como fazer atividades educativas é fundamental para que não haja não haja retrocessos", diz.

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Frame de videoaula da professora Rosilane Rezende, da Classe Especial do Ciep Zumbi dos Palmares (6ª CRE)

A psicóloga Tamires Pessoa lembra que o período não é de férias, momento programado para que horários, hábitos e atividades sejam mais flexíveis. É essencial que tenham, na rotina, pelo menos um momento de desenvolvimento de habilidades. Ela recomenda que se separe um cantinho em casa, onde possam trabalhá-las. Todos da família precisam contribuir, porque é importante que não haja distratores, como televisão ligada, passa-passa de pessoas, ou qualquer outra coisa que possa desconcentrá-los.

Outra recomendação é tornar a atividade o mais lúdica possível. Se, por exemplo, a criança estiver se alfabetizando, letras e números de brinquedos, ou recortados em papel, podem tornar as tarefas mais atrativas. Segundo ela, é possível que haja resistência à nova rotina, por isso, as tarefas dedesenvolvimento de habilidades podem começar com cerca de 40 minutos e irem se ampliando dia após dia. Já os alunos com altas habilidades, pode-se começar com um tempo maior: "Com estes, é provável que até façam atividades de estudo durante todo o período em que estariam na escola. Mas como são muito centrados em si mesmos, é importante que também se socializem por meio de chamadas de vídeo ou de voz", observa.

Para desenvolver as habilidades

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Disponha tampinhas de diferentes formatos e peça à criança para atarrachá-las no recipiente certo. Foto e atividade enviada pela professora Rosilane

Kátia Nunes, diretora do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA) – Centro de Referência em Educação Especial da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro –, salienta que é necessário minimizar o impacto do fechamento das escolas.   Mais de 500 professores, notadamente os que atuam no Atendimento Educacional Especializado e os Regentes de Classes Especiais, estão empenhados em realizar adequações no Material de Complementação Escolar (MCE), disponibilizado pela Secretaria Municipal de Educação, para os 17 mil alunos da Educação Especial que estudam nas escolas municipais da cidade. O Material de Complementação Escolar contém atividades a serem realizadas em casa durante o período de isolamento social.

Rosilane Rezende compartilhou uma videoaula sobre pareamento de cores para a Educação Especial, dentro da iniciativa da 6ª CRE, convidando docentes a compartilhar uma aula pelas redes sociais. A psicóloga Tamires Pessoa diz que atividades de pareamento são importantíssimas para os alunos com atraso de desenvolvimento, em especial para os autistas, e que outros exercícios podem ser feitos, como por exemplo: "O responsável aponta o dedo para o próprio olho e fala 'olho'. A seguir, pega um boneco (a) e pergunta: onde está o olho do boneco? Depois, nova indagação: e o seu, onde está?".  Segundo ela, isso pode ser feito com as diversas partes do corpo.

Por ocasião do Dia do Autista, comemorado em 2 de abril, o IHA está incentivando todos a participarem da Semana Mundial de Conscientização sobre o Autismo. A ideia é formar um quebra-cabeça colaborativo, com mensagens das famílias e fotos dos alunos e alunas, representando a união da escola e dos responsáveis e as especificidades de cada TEA. Envie as mensagens e fotos para o email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.!

O IHA ainda preparou uma série de dicas e orientações para os responsáveis dos alunos da Educação Especial sobre como trabalhar as atividades escolares em casa.  Veja quais são:

esp petsOutra atividade sugerida por Rosilane: desatarrachar as tampinhas, colocando cada uma na caixa ao lado. Depois, atarrachá-las

• Realizar as atividades em lugar tranquilo e arejado;

• Dividir as tarefas respeitando a rotina diária e o seu ritmo;

• Fazer a leitura oral das atividades, utilizando situações que exemplifiquem e facilitem a compreensão;

• Gravar em áudios os textos disponibilizados para que sejam ouvidos de acordo com a necessidade para a realização das atividades;

• Ser o ledor e o escriba, respeitando a singularidade do estudante na leitura dos textos e descrição das imagens, assim como transcrever o que foi falado ouexpresso;

• Utilizar a Língua Brasileira de Sinais – Libras para alunos surdos (caso a família já use esse tipo de comunicação);

• Utilizar diversos materiais de apoio, tais como: letras e números móveis (podem ser recortadas de jornais e revistas), tampinhas plásticas, palito de picolé,etc.;

• Apostar na comunicação visual e ilustrar conteúdos apoiado nas figuras, gravuras, imagens, fotos, desenhos para maior compreensão;

• Utilizar a prancha de Comunicação Alternativa, caso seu filho necessite, no momento das atividades, ou outros recursos de comunicação.

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Festival MultiRioFilme – Rio Contra o Corona

Os alunos da Educação Especial da Rede Pública Municipal do Rio de Janeiro também podem contribuir para o engajamento da comunidade escolar na prevenção e no combate à pandemia da Covid-19, participando do Festival MultiRioFilme - Rio contra o Corona. A iniciativa recebe inscrições de vídeos de alunos e professores em diferentes categorias. Confira o regulamento aqui

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