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MCE Reportagens
11 Setembro 2020
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Imagem: Patricia Bigio/ GEA-MultiRio

O fenômeno das lives, transmissões de vídeo ao vivo, invadiu as redes sociais no período da pandemia. Na Rede Pública Municipal de Ensino, professores, escolas e coordenadorias regionais de educação (CREs) se apropriaram do formato – no Instagram, no Facebook e no Youtube – para promover conversas entre docentes, formações e, sobretudo, para aproximar a comunidade escolar.

De acordo com uma pesquisa da VIU HUB, divulgada pela YOUPIX, consultoria de negócios para influência e comunicação digital, entre janeiro e abril, o crescimento mensal de uploads de lives foi de 15,6% no YouTube e de 19,3% no Facebook. Ainda segundo a mesma pesquisa, no Instagram, a palavra “live” cresceu 277% em março, em comparação ao mês anterior.

Ao perceber o sucesso desse formato nas redes sociais, a professora Carol Ponciano deu início à série de lives Bota a Cara no Sol, comandada por ela no perfil Tudo é pedagógico, no Instagram. A conta, que já possui mais de 10 mil seguidores, foi criada por Carol em abril de 2019 para compartilhar experiências pedagógicas com outros docentes. Na ocasião, ela convidou a professora Kamila Farias e a agente de apoio à Educação Especial Karla Claudio para, também, produzirem conteúdo para a página. As três atuam no Ciep Mestre Cartola (4ª CRE), em Parada de Lucas.

“Com a pandemia, todos começaram a fazer lives, era uma febre. No começo, não pensamos em fazer, mas recebemos convites para participar em outros perfis e gostamos bastante. Além disso, muitos dos nossos seguidores mandavam mensagens pedindo por lives. Tínhamos vergonha, ficávamos receosas, mas conversamos e decidimos que faríamos. Trouxemos temas que agradaram o pessoal, fez sucesso, demos continuidade. Quem gosta de aparecer e colocar a cara no sol mesmo sou eu! A cara do Instagram é toda minha”, comenta, em tom bem-humorado, a professora de 29 anos, formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e em Letras pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

A série de lives já abordou temas como autismo, comunicação não-violenta na escola, produção de recursos pedagógicos para a alfabetização, direitos autorais e comportamento digital e ações educativas de combate à violência contra a mulher.

A aproximação com o público e a interação imediata foram as principais vantagens apontadas pela professora para adotar o formato “ao vivo”. “É muito bom sentir que as pessoas estão mais perto de você. Elas mandam dúvidas, interagem e até sugerem temas para outras lives. Ao criar o roteiro e pensar nas perguntas que farei para os convidados, sou uma das que mais aprendem!”, destaca Carol, que já participou até de transmissões com docentes de outros estados. “Essa troca é sensacional, aprendemos muito com a experiência do outro. Há trabalhos maravilhosos nas Redes Públicas de Ensino do nosso país”, destaca.

Informação, acolhimento e participação dos alunos nas lives das escolas

Com o isolamento social, a E.M. Mozart Lago (5ª CRE), em Oswaldo Cruz, apostou na comunicação por meio do Instagram, criando o perfil @mozartmotivandonaquarentena. “A página é fruto de uma ação coletiva, do desejo coletivo da escola, do corpo docente, diante das questões que têm se levantado na quarentena. [...] É um espaço de interação, de expressão de sentimentos e de acolhimento”, explica a coordenadora pedagógica Beatriz Machado em uma das transmissões. Ela é quem está à frente das lives, de cunho informativo, nas quais entrevista especialistas sobre temas relacionados à pandemia, como bem-estar e saúde mental das crianças na quarentena, cuidados necessários para crianças e adolescentes e o essencial no retorno às aulas.

Outra unidade da Rede que realiza transmissões ao vivo no Instagram é a E.M. Mário Casasanta (8ª CRE), em Magalhães Bastos. A escola já promoveu a Live da Saudade, a Live do Amor e planeja, ainda, a Live da Amizade. “Nesse momento em que todos estão fragilizados, passando por problemas, trancados em casa, nada melhor do que falar sobre o amor”, diz a professora Kenya Pio, durante a Live do Amor.

E.M. Bernardo de Vasconcellos (4ª CRE) fez uma enquete para saber em que plataforma realizaria as lives: o Instagram foi o escolhido pela grande maioria (Imagem: Reprodução/ Facebook)

Kenya também já participou como convidada da live Cultura e Educação: o preto tem espaço?, da série Dorcelina é Resistência, promovida pela E.M. Dorcelina Gomes da Costa (7ª CRE), na Cidade de Deus. Na série, cujas transmissões são realizadas no Facebook, a escola já falou sobre empoderamento feminino, sobre Holocausto, sobre samba e sobre isolamento social, ansiedade e a nova rotina.

A E.M. Bernardo de Vasconcellos (4ª CRE), na Penha, também se rendeu ao universo das lives, atuando em duas frentes. No perfil @nova_bernardodevasconcellos, o projeto Vamos falar de nós? promove um bate-papo entre o professor Poíko Bendiz e convidados muito especiais: os alunos da escola.

Já na conta do Núcleo de Formação Bernardo, acontecem as lives da série Bernardo em debate: a escola e o novo normal – Uma conversa com educadores que pensam fora da caixa, mediada pelo professor Veríssimo Júnior, da Sala de Leitura Carolina Maria de Jesus.

“A série tem como objetivo afirmar a escola não apenas como objeto de pesquisa, mas como sujeito de pesquisa”, ressalta Veríssimo no episódio de estreia. A ideia, segundo o docente, é que professores e pessoas do mundo acadêmico e de movimentos sociais estejam entre os convidados. Até agora, já foram transmitidas seis lives, uma delas com a atriz Débora Bloch, que interpretou o papel de uma professora de Educação para Jovens e Adultos na série Segunda Chamada, da TV Globo.

Lives e formação de professores: a experiência da 8ª CRE

Quando o assunto é transmissão ao vivo, a experiência da 8ª CRE se destaca. Sucesso no Instagram desde maio – quando foi ao ar a primeira live –, as transmissões passaram a ser feitas na página da coordenadoria no YouTube a partir de meados de agosto, em um modelo repaginado. Ao todo, já foram mais de 20 lives, abordando temas como Educação Especial, inclusão, ensino remoto, Educação Física e educação socioemocional no Peja.

“Nosso público é bastante fiel, temos um alcance muito grande. As lives ficaram gravadas e percebemos acessos numerosos, as pessoas se interessando pelos nossos temas. E isso é muito gratificante para o nosso trabalho, para o trabalho do grupo de professores da 8ª CRE”, diz, na live de estreia no YouTube, Diala Azevedo, que comanda a Gerência de Educação GED da coordenadoria.

A ideia de realizar transmissões ao vivo partiu da experiência exitosa do professor Mario Mangabeira, então assistente da GED, em sua conta pessoal no Instagram, com a série Diálogos Pedagógicos. “Retornos positivos de professores da 8ª CRE indicaram que essa proposta merecia ganhar força em tempos de isolamento social. [...] Estamos isolados, mas temos a necessidade de nos manter em atividade, produtivos, proativos e isso nos levou a buscar novos caminhos para que esse contato não se perdesse e não nos perdêssemos dos nossos pares. No caso da GED, não nos afastássemos das práticas voltadas à formação pedagógica dos profissionais da Educação. E o caminho encontrado nos levou justamente do isolamento social ao contato virtual, por meio da produção de lives pelo Instagram”, explica a professora Michelle Sabbatini, meadiadora das transmissões e integrante da equipe da GED.

Além dessas experiências, muitas outras iniciativas vêm sendo realizadas por professores, por escolas e por coordenadorias, destacando o empenho de toda a Rede em se apropriar de recursos tecnológicos, de diferentes formatos e plataformas, para, sobretudo, aproximar alunos, pais e responsáveis, professores e demais funcionários das escolas.

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