20 Maio 2021
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O garimpo é uma das atividades que mais impactam a Floresta Amazônica. Foto Ibama, cc

O garimpo, o desmatamento, a expansão das fronteiras agropecuárias e demais pressões sobre as florestas têm eliminado, quase por completo, a presença de algumas espécies de árvores, principalmente aquelas cuja madeira tem alto valor comercial. No Brasil, várias delas encontram-se ameaçadas.

Muitos talvez ainda não tenham a exata dimensão do papel que as árvores exercem na conservação do solo e na regulação do ciclo da água, da temperatura e dos níveis de oxigênio e de carbono na atmosfera.

As copas das árvores amenizam a temperatura local e ainda retêm parte da água das chuvas, evitando as inundações. As raízes também absorvem boa quantidade das águas pluviais, ajudando a reter o solo e a reduzir a lixiviação .

Como em áreas desmatadas a erosão do terreno é muito maior que nas florestas, os rios, os lagos, as lagoas e até mesmo o mar acabam assoreados e, por isso, avançam sobre regiões habitadas e de plantio.

Em escala planetária, as árvores combatem o aquecimento causado pelas mudanças climáticas, armazenando carbono em seus troncos e removendo dióxido de carbono da atmosfera. Conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o desmatamento responde por 13% do total das emissões globais de carbono.

 

Fator de extinção e doenças

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Derrubada ilegal de árvores no Pará. Foto Wilson Dias, Ag. Brasil, cc

As árvores também apoiam os sistemas alimentares dos animais, incluindo os humanos, e servem de morada a inúmeras espécies – das bactérias aos mamíferos. E, como se sabe, todos os seres vivos participam de alguma forma do equilíbrio ambiental.

Além de contribuir com o aquecimento global, a derrubada das árvores é o principal fator de extinção das espécies, porque, sem elas, animais, vegetais, fungos e bactérias perdem seu habitat.

Segundo a revista científica Nature, no mundo são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores, anualmente. O resultado disso é que o planeta está reduzido a praticamente 50% das matas que já teve, colocando em risco de extinção várias espécies de vegetais e animais. Daí, a grande importância de se preservar as florestas.

Em 2018, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) constatou que, mesmo nas cidades, as áreas arborizadas apresentam uma riqueza geral de espécies de 50% a 100% maior que as áreas abertas:

"Uma única árvore isolada pode atuar como um ímã da biodiversidade, atraindo e fornecendo recursos para muitos animais e plantas", afirma um dos pesquisadores, Jayme Prevedello, em reportagem da BBC Brasil.

A derrubada das árvores também contribui para a disseminação de doenças, já que vírus e bactérias estão entre os que podem perder seu habitat natural. Cientistas norte-americanos, por exemplo, descobriram que a transferência do ebola para seres humanos ocorreu em pontos críticos de fragmentação da floresta africana.

 

Espécies brasileiras em risco

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Uma castanheira pode atingir 50 m de altura e 500 anos de vida, mas sua reproduçao depende de um ambiente intocado. Foto Nando Cunha, Wikicommons

Inúmeras árvores nativas do Brasil correm o risco de extinção. Chama a atenção o fato de várias delas serem símbolos regionais a exemplo da araucária e da castanheira, entre outras. Veja a lista abaixo, com 10 espécies ameaçadas.

Castanheira - Sabe a castanha do Brasil, também conhecida como castanha do Pará? A árvore que nos fornece esses deliciosos frutos oleaginosos consta da lista das espécies vulneráveis. A castanheira é uma árvore amazônica, normalmente encontrada nas margens de grandes rios, como o Amazonas, o Negro e o Araguaia. Chega a 50 m de altura e a 2 m de diâmetro. A vida dessa árvore, que pode chegar a 500 anos, depende de um ambiente intocado para reprodução, pois suas flores só são polinizadas por alguns tipos de insetos atraídos por orquídeas que vivem próximas das árvores. Sem os insetos e as orquídeas, a castanheira não dá os frutos os quais vários animais, como a cutia, se alimentam. A maior ameaça às castanheiras é o desmatamento. A madeira oriunda de sua derrubada é utilizada na construção de estradas e barragens.

Pau-amarelo - Árvore de grande porte, que pode chegar a 40 m de altura e a 1 m de diâmtro. Com incidência no Pará, Maranhão e Tocantins, é a espécie brasileira com o maior risco de extinção. Encontra-se ameaçada em consequência do desmatamento e da exploração da madeira, usada em assoalhos, construção pesada e marítima , pontes e instrumentos musicais. Estima-se que, nos últimos 60 anos, tenha havido uma redução de mais de 80% do total de exemplares do pau-amarelo.

Imbuia - Árvore nativa das regiões Sul e Sudeste do país, com maior concentração no norte do estado de Santa Catarina, onde foi encontrada uma árvore com mais de 2.000 mil anos. Sua maior incidência está associada às matas de araucária. A madeira da imbuia é muito durável e boa para o entalhe. Por isso, é bastante procurada para a fabricação de móveis de luxo e instrumentos musicais. De sua casca também é extraída uma substância utilizada na fixação de perfumes. A árvore pode atingir 20 m de altura e seu tronco, 1,5 m de diâmetro. Como a árvore tem muita longevidade, seu crescimento é muito lento, de forma que sua derrubada incorre em grande prejuízo ao meio ambiente e à biodiversidade.

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Cerca de 98% das matas de araucária foram derrubadas. Foto Webyster Nunes, Wikicommons

Araucária - A árvore-símbolo do Paraná é um tipo de pinheiro e pode atingir a 50 m de altura e a 2,5 m de diâmetro. Vive, em média, de 200 a 300 anos. As pinhas que produz servem de alimento a vários animais, como a gralha azul, que exerce papel fundamental à reprodução dessas árvores, por espalhar suas sementes. Esses frutos também foram a base da cultura alimentar dos indígenas da região. Cerca de 98% das matas de araucária, incidentes principamente na Região Sul do Brasil, foram derrubadas. Estima-se que mais de 100 milhões desses pinheiros foram ao chão em menos de um século para abastecer serrarias e abrir espaços para a agropecuária.

Cerejeira - A cerejeira, também conhecida como amburana, imburana e cumaru-de-cheiro, é uma espécie nativa da Amazônia, com incidência nos estados de Rondônia, Acre, Amazonas e Mato Grosso. Sua madeira é uma das mais apreciadas pela indústria de móveis de luxo e pela construção civil (para acabamentos, como portas e rodapés), sendo constante alvo das derrubadas. A cerejeira amazônica pode chegar a 40 m de altura e a 1,5 m de diâmetro. Seus frutos são muito apreciados pelas populações locais, que ainda usam sua casca para a confecção de remédios caseiros para dor de cabeça, anemia, gripe e resfriado. A árvore está em situação vulnerável e sua reprodução não é das mais fáceis, devido às dificuldades de coleta de suas sementes.

Braúna - Tal como o jacarandá-da-Bahia, também é uma árvore de porte médio nativa da Mata Atlântica. Fornece uma das madeiras mais duras e resistentes do Brasil e, por isso, foi amplamente usada na fabricação de postes, dormentes e outras aplicações em abientes externos. Sua casca espessa é utilizada para extração de tintura negra e sua seiva é aplicada na medicina, em remédios para dores intestinais. Alcança de 15 m a 20 m de altura e seu diâmento diâmetro varia de 80 cm a 1 m. A árvore entrou na lista de árvores em situação vulnerável por restar poucos fragmentos florestais com a espécie, em geral pequenos e isolados

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A madeira do Jacarandá-da-Bahia é apreciada desde o período colonial. Foto Ian Burt, Wikicommons

Jacarandá-da-Bahia - Nativa da Mata Atlântica, ganhou em esse nome porque, atualmente, só é encontrada no sul da Bahia, embora tivesse incidência em toda a Região Sudeste. Também conhecida como cabiúna e jacarandá-preto, a árvore fornece a madeira tida como a mais nobre do Brasil, por sua durabilidade e facilidade de entalhe. Amplamente utilizada desde o período colonial, entrou na lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção em 1990, devido a alta fragmentação de seu habitat, ausência de reflorestamentos e intenso extrativismo. O jacarandá-da-Bahia é classificado como uma árvore de porte médio, pela altura (de 15 m a 25 m) e pelo diâmetro do tronco (de 40 cm a 80 cm).

Canela-sassafrás - De ocorrência natural entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Sul, também é conhecida como canela-funcho e louro-cheiroso. Possui alto valor econômico, pois, além da madeira, dela se extrai um óleo essencial que contém safrol, substância comercializada no mundo inteiro e utilizada por vários tipos de indústria, como a de perfumaria e de farmácia. O óleo de sassafrás é usado até pela Nasa, porque sua densidade nunca se altera, mesmo em altas variações de temperatura. Ameaçada de extinção, a canela-sassafrás cresce bem devagar e seus frutos, além de só serem gerados de vez em quando, produzem uma única semente, apreciada por diversas espécies de pássaros.

Canela-preta - Espécie nativa do Brasil, é encontrada em alguns estados do Sudeste e em toda região Sul, principalmente em Santa Catarina. Sua madeira foi muito utilizada em assoalhos e na construção civil e naval, tendo sido intensamente explorada a partir da década de 1940. A árvore pode atingir até 45 m de altura e 1,5 m de diâmetro e chegar a uma idade superior a 300 anos. Seus frutos são grandes e ricos em lipídeos que se constituem em uma rica fonte de alimentação para vários animais.

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Pau-brasil, a primeira riqueza explorada pelos portugueses no chamado Novo Mundo. Foto Mauro Guanandi, Wikicommons

Pau-brasil - Os indígenas chamavam essa árvore de ibirapitanga e, sem precisar derrubá-la, extraíam de seu tronco um corante de tonalidade vermelha e púrpura. Os portugueses, quando aqui chegaram no século XVI, logo perceberam o valor comercial da árvore – tanto pela tinta como pela madeira de alta qualidade – e passaram a explorá-la, levando para a Europa carregamentos inteiros de troncos de pau-brasil (como batizaram a ibirapitanga). Em pouco menos de um século, já não havia mais árvores suficientes para suprir a demanda. A atividade econômica foi deixada de lado, embora árvores continuassem a ser abatidas. O pau-brasil tem altura média de 12 m de altura (pode chegar a 35 m) e muita longevidade: pode viver por mais de 500 anos. Nativa da Mata Atlântica, era fartamente encontrada entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Norte. O adensamento populacional e o aumento das atividades econômicas nessa região, durante todo o século XX, foram a gota de água que faltava para colocar o pau-brasil na lista das árvores ameaçadas de extinção.

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