07 Junho 2021
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João Cândido (Imagem: Domínio público)

João Cândido Felisberto foi um marinheiro brasileiro conhecido por ter liderado a Revolta da Chibata (1910). 

Nasceu no Rio Grande do Sul, em 1880, filho de escravizados.

Aos 14 anos, entrou para a Marinha do Brasil, onde se engajou na luta contra os maus-tratos, a má alimentação e as chibatadas sofridas pelos marinheiros.

Foi chamado de almirante e de herói pelo escritor Gilberto Amado, em artigo publicado no jornal O País.

Depois, em 1912, na Gazeta de Notícias, já era tratado pelo escritor João do Rio como Almirante Negro – apelido pelo qual ficou conhecido.

Prisão e acusação de loucura

João Cândido foi reconhecido como líder entre os marinheiros durante a primeira rebelião da Revolta da Chibata. Apesar de não ter participado do segundo levante, foi preso, sob a acusação de tê-la liderado.

Depois de detido e interrogado, ele foi conduzido à Ilha das Cobras e jogado com mais 17 marujos em uma solitária, onde foram tratados de maneira cruel e desumana.

Traumatizado com as brutalidades sofridas e presenciadas no local, João tinha visões dos companheiros que não sobreviveram às condições impostas em cárcere e, depois de examinado por uma junta médica, foi considerado louco e enviado para o Hospital Nacional dos Alienados, no bairro da Urca – onde hoje funciona um campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Praia Vermelha).

Lá, ficou pouco mais de um mês (entre abril e junho de 1911) e, depois de os médicos constatarem sua sanidade, foi mandado novamente para a Ilha das Cobras. 

João Cândido vendendo peixe na Praça XV, centro do Rio de Janeiro, 1938 (Imagem: Arquivo Edmar Morel/ Biblioteca Nacional)

Apenas em setembro de 1912 conseguiu ser ouvido pelo Conselho de Investigação. Assim como os outros acusados, João foi absolvido com a ajuda de advogados chamados pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, agremiação fundada por escravos alforriados e que abrigava e protegia cativos na época da escravidão. 

Ao sair da cadeia, João soube que havia sido excluído dos quadros da Marinha de Guerra do Brasil.

Conseguiu trabalho em barcos particulares, como timoneiro e carregador, entre outros. Em todos esses empregos, foi demitido por pressão de oficiais da Marinha sobre os patrões. Até que comprou uma modesta embarcação para pescar no centro do Rio, e vender peixes no mercado do cais Pharoux (Praça XV).

Homenagens a João Cândido

João Cândido se casou três vezes, com Marieta, Maria Dolores e Ana, e teve 11 filhos.

Com a saúde debilitada, faleceu em 1969, aos 89 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer no intestino.

No começo da década de 70, foi homenageado por Aldir Blanc e João Bosco com a música O Mestre-Sala dos Mares, em homenagem a João Cândido. Após sofrer alterações por conta da censura vigente na época ("marinheiro" foi substituído por "feiticeiro", "negros" deu lugar a "santos" e "almirante" foi trocado por "navegante"), a música se popularizou na voz de Elis Regina.

Quase um século depois da Revolta da Chibata, em 2008, foi sancionada uma lei concedendo anistia post mortem a ele e a outros marujos participantes da revolta.

Em 2021, o muro da residência onde ele viveu por quase quatro décadas, em São João de Meriti (RJ), foi pintado pelo artista Cazé, em arte que retrata momentos marcantes da revolta.

Série da MultiRio relembra revoltas populares no Brasil

Por meio de imagens e gravações históricas, a série televisiva O Mochileiro do Futuro, produzida pela MultiRio, aborda importantes revoltas populares que ocorreram no Brasil.

O programa mostra as aventuras de um jovem que encontra um par de óculos capazes de transportá-lo ao passado. Nessa viagem virtual, ele presencia importantes eventos da História.

Ao todo, são dez episódios, cada um sobre uma revolta. Entre elas, estão a Revolta da Chibata, a Guerra de Canudos, a Revolta da Vacina e a Revolução Pernambucana.

Confira todos os vídeos no PORTAL MULTIRIO. O conteúdo também está disponível no canal da MultiRio no Youtube.

Fontes:
Museu Afro Brasil
João Cândido – A Luta pelos direitos humanos. Projeto Memória. Fundação Banco do Brasil.
NASCIMENTO, A.P. do. Contra a chibata, canhões. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, set. 2007.
SILVA, M. A. da. “Nossa Classe” – Revolta da Chibata na imprensa operária, Revista Brasileira de História, São Paulo, 2, (3): 33 – 44, mar. 1982.
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/exposicao_chibata/

 

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